Pretende-se, com o seguinte texto, esclarecer o escutismo sob o ponto de vista desportivo-pedagógico. Realizam-se periodicamente cerimoniais de promessa nos quais a afirmação de crença no ideal e nos princípios do escutismo é apenas um dos objetivos. O segundo, e tão importante como o primeiro, centra-se na afirmação de que este movimento não é desintegrado do contexto (sociedade) onde se insere, mas que existe primeiramente para formar e educar, através de processos de transformação vastos mas integrados, os nossos jovens, para que, de forma semelhante a outros tempos, estas gerações emergentes consigam ultrapassar dificuldades gradualmente crescentes, mas de formas muito mais céleres. Ou seja, estes jovens que se comprometem a viver segundo este ideal de formação, são expostos a processos de aprendizagem e a ricas experiências (individuais, de grupo, reuniões, acampamentos, planeamentos, criação de estratégias e tomadas de decisão…umas mais micro outras mais macro) possibilitando que estejam mais preparados para as incertezas do futuro. As estratégias de funcionamento destes movimentos são muito divergentes das que algumas associações desportivas contemplam, elas mesmo deveriam repensar em interagir intimamente com a sociedade circundante de forma a poder responder aos problemas que cada concelho, área de residência e cada sujeito apresentam, contribuindo ainda mais para a formação global do sujeito. Por vezes, muita gente questiona a funcionalidade do movimento supracitado e poderão até achar que é semelhante a um "ATL" ou "uma coisa" para ocupar os miúdos ao sábado como em alguns clubes. Mas não, os próprios Escuteiros/Escoteiros, os pais e todos aqueles que apoiam o movimento, reconhecem que nele reside outro valor, um valor educativo especial, um ideal de vida e de formação pautado por um desenvolvimento integral no qual o desporto, no seu sentido mais global, pode e deve ter um papel interventivo.
António Pereira, Colaborador da AAUMa