Nunca fui apologista da violência independentemente das circunstâncias. Sempre acreditei na verdade, na ética, no princípio da tolerância, no respeito pelo próximo e acima de tudo no bom senso. Só que cada vez mais, ando desapontado com o que vejo. Faltam-nos marcos, sinais visíveis, figuras concretas para que possamos delimitar o trilho que necessariamente teremos de percorrer com ou sem ajuda externa. Lia hoje (sexta-feira) pela manhã, um artigo no Jornal de Notícias on-line de Jorge Fiel que captou a minha atenção e do qual retiro o excerto seguinte para que possa ser analisado também por si... que lê: "Num país como o nosso em que ninguém sabe ao certo quantas leis existem e estão em vigor diplomas que se contradizem uns aos outros, manda a prudência que, em vez de produzir mais legislação, os deputados e ministros concentrem os seus esforços em desbastar a selva legislativa, mãe de um emaranhado de burocracia que nos prende os movimentos, entope os tribunais - e nem sequer aproveita aos advogados. Destralhar o asfixiante e labiríntico edifício legislativo que habitamos é prioritário se queremos mesmo atacar um sistema de Justiça, com anedóticos indicadores de produtividade e em que ninguém confia. Como se consegue isso? Deixo ficar uma sugestão. No primeiro ano, os ministros deviam estar proibidos de legislar. E partir do segundo ano, só podiam fazer uma lei nova por cada duas velhas que eliminassem." Pode ser um bom princípio para começarmos de novo a encontrar rumo certo para uma série de coisas que, para já, não fazem sentido.

Carlos Pestana, Chefe dos Serviços Antena 1 e Antena 3 Madeira