Segundo o mais recente Boletim Económico do BdP, o desemprego atingiu níveis recorde de 14% da população activa. O mero e simples exercício de ir à varanda lá de casa, olhar em redor, e perceber quantos indivíduos, no universo da vizinhança, anseiam por trabalho elucidar-nos-á melhor para esta infeliz realidade. Estar empregado, mais do que garantir uma remuneração, será, por ventura, umas das mais eficazes formas de realização pessoal. Mesmo desligando-nos dos efeitos económicos, permanecem ainda os danos colaterais dantescos advindos do desemprego, de âmbito primordialmente social. Mais do que uma mancha na economia, o que está em causa é uma chaga eminentemente social e de cura difícil. Importa lembrar que a taxa de desemprego comporta uma componente estrutural e outra cíclica. A primeira, deve rondar os 4%, funcionando como "taxa base", à qual soma-se ou subtrai-se pontos, em função da sanidade económica. Dados do BdP, dizem que a parte estrutural, leia-se, desemprego natural, ascendeu a 9,5 p.p em 2010, o que na prática, significa que, quando se fazem as contas do desemprego, há que assumir, logo à partida 9,5%, mesmo na suposição do PIB crescer ao nível irreal. O fenómeno enraíza-se, mais como consequência de mazelas persistentes ao nível do mercado laboral do que propriamente à custa da crise. É chocante pensar que, mesmo com crescimento económico, um nível estrondoso de desemprego será prevalecente. Mais alarmante ainda é olhar para as projeções respeitantes ao futuro próximo e constatar o emagrecimento do PIB, o que tudo junto, resulta num desemprego que já vai galopante.

Rafael Freitas - Colaborador da Associação Académica da UMa