Jorge Martins Espantosamente, como só a vida sabe fazer, é no dia 24 de Abril, que de nós se despede quem, diria mesmo dos poucos, holísticamente, possidentes, na penumbra dum Estado esgotado, de novo cinzento, sem esperança, senão a do que ainda mais quer, qual peçonha mal curada. Num esterturoso silêncio dum cigarro mal apagado, ainda que, quase clandestinamente fumado, tal como as ideias que balbuciávamos a medo, há uns anos atrás, que, o àmanhã, o 25 de Abril. julgávamos para sempre ter proscrito. E afinal não e, também, por isso fazes falta. Hoje, digam o que disserem, estamos muito mais perto do 24 que do 25 de Abril e por isso a tua morte tem um, ainda mais profundo significado. Não me alcança a verve, para de ti dar escrito exemplo, doi-me a alma de te não ter aqui, com o teu alento, despegado de sinecuras, a "roufinhar" a direita a torto e a direito, apelando à solidariedade , que não à, outra vez em moda, caridadezinha. Sempre te mostraste, dando rosto ás causas que defendias, mesmo como "mensageiro", acrónimo apadrinhado por jornalistas de fraca cultura e inusitado carácter, que, hoje, por aí pululam, muitos deles de óculos de sol postos, descaradamente, como só eles sabem ser, àmanhã no teu funeral. Até sempre companheiro. Adeus Miguel Portas.