Hoje, celebra-se a Revolução dos Cravos efeméride que, pela sua importância global, não poderia deixar de assinalar. Em termos desportivos, na Madeira, a revolução de 25 de Abril relançou o debate da continuidade territorial e do direito em participar nas competições nacionais das quais as equipas madeirenses tinham sido relegadas existindo, neste período, uma preocupante hegemonia de Lisboa e do Porto. Contudo, esta participação viria a assumir novos contornos pois, se por um lado os clubes perdiam parte da autonomia financeira na medida em que o Governo Regional se torna mecenas do desporto, por outro lado, acabaria por libertá-los das sucessivas crises financeiras. Enquanto o povo assistia aos inúmeros e magníficos golos de Eusébio, o Pantera Negra, o regime caía. Chegava ao fim um período de 40 anos de governo absoluto, o mais longo da história portuguesa, desde o reinado absolutista de D. João V. Hoje, quase 40 anos depois da libertação considero que regredimos em muitos aspectos, incluindo nos desportivos. A dependência financeira, as infra-estruturas degradadas e desaproveitadas, a fraca qualidade de alguns dirigentes, a desresponsabilização dos diversos agentes desportivos e as políticas desportivas desadequadas são apenas alguns exemplos que constituem a ponta do iceberg, o mesmo que afundou o Titanic há 100 anos. Como tal, não seria espanto algum se, um dia destes, os cravos vermelhos invadissem os palcos desportivos um pouco por todo o país.
Andreia M. Nascimento - Directora Com. da AAUMa