Pedro Araújo, Arquitecto A crise no imobiliário e construção que assola o Pais e a Madeira, resulta dos muitos erros cometidos desde a entrada de Portugal na União Europeia pelo facto de ter entrado muitos milhões em Portugal e na Madeira sem qualquer controlo. Neste momento, não interessa procurar culpados, mas soluções para resolver este problema que afecta milhares de famílias - via desemprego - e muitos trabalhadores do sector da construção, sejam eles, empreiteiros, promotores, arquitectos, engenheiros, mestres e outros que dependem economicamente deste sector. A resolução deste problema pode ser, na minha opinião, diferente de região para região, devido ás diferentes características demográficas e sócio económicas, apesar de sentir que a Banca não pensa assim, passando a resolução do problema do imobiliário da Madeira para as sedes bancárias em Lisboa. Na Madeira temos "meios" e características sócio-económicas diferentes, que podem ser utilizadas para resolver este e outros problemas, haja vontade e competência da administração pública (Governo e Autarquias) para implentar as seguintes medidas: 1. Fazer um levantamento exaustivo em toda a região das construções implantadas em zonas de risco, utilizando para o efeito a Carta de Riscos de Erosão da R.A.M; 2. Usar as verbas da chamada "Lei de Meios" para adquirir os milhares de fogos disponíveis no mercado imobiliário, para realojar todas as famílias que terão que deixar as suas casas por se encontrarem em zonas de risco e se necessário construir mais cidade tipo "Bairros da Nazaré" na zona de São Martinho; 3. Incentivar os promotores imobiliários e proprietários de Hotéis (essencialmente os de 5 estrelas que se encontram com problemas) a reconverter os seus imóveis em Unidades de Apartamentos Turísticos, passando a Madeira a oferecer mais de 50 mil camas; Estas medidas podiam resolver no curto/médio prazo os seguintes problemas: 1. O problema gravíssimo que a Madeira apresenta em termos de Ordenamento do Território (20 de Fevereiro demonstrou) - Retirando as pessoas de zonas de risco; 2. Os graves problemas dos promotores imobiliários e empresários do ramo do Turismo e subsequentemente os problemas da Banca; 3. O elevado desemprego, via aumento do número de camas turísticas, fortalecimento do comércio local e construção de nova habitação, resolvendo assim os problemas económicos que assolam as famílias madeirenses; 4. Os elevados custos dos transportes aéreos, via aumento do mercado turístico da Madeira, que duplicava das actuais 27 mil camas para um número próximo das 50 mil, tornando-se a Madeira finalmente um mercado turístico com algum interesse para as companhias aéreas. Sei que o aumento do número de camas turísticas não será imediatamente compreendido, e sei também que vão dizer que já não se pode fazer nada com a "Lei de Meios". Se assim é, ficamos à espera de medidas para resolver os gravíssimos problemas que assolam a Madeira e os Madeirenses.