«Apitar á inglesa» tornou-se moda para quem não tem assunto nas suas dissertações escritas ou faladas. Mas o que é essa coisa que fazem os britânicos melhor do que nós? Melhores árbitros? Não me parece. Treinador luso comparando a qualidade dos árbitros europeus não tinha dúvidas que Portugal estava bem servido. No restrito grupo de árbitros do EURO'2012 estarão 4 Árbitros e 3 Assistentes, entre os quais o madeirense Duarte Gomes,liderados pelo Pedro Proença. Por frustração, complexos existênciais e incompetência, desvalorizamos os nossos e elogiamos os outros. Tão bom para a nossa economia se alterassemos esta prática. Sejamos justos, não é só no futebol. As leis são iguais em todo o Mundo. Na Inglaterra os árbitros apitam menos? Como podem apitar se jogadores não cometem faltas? Média de 15 faltas por jogo contra mais de 30 em Portugal. O jogo é mais fluido porque os jogadores não simulam lesões e faltas que não sofreram. Que o diga Ronaldo no 1º ano em Inglaterra. Provavelmente os nossos têm que jogar à inglesa. Claro que o futebol inglês é mais competitivo. Não há tácticas de autocarros, estratégias de contenção de bola na esperança que caia do céu um golo salvador. Os treinadores é que têm de treinar à inglesa, jogar para ganhar sabendo que existem três resultados possíveis. Mas a direcção do clube não é inglesa dir-me-ão.Provavelmente os dirigentes têm de gerir à inglesa. Uma derrota hoje não pode ser véspera do funeral do treinador. Os treinadores dependem de resultados? E os projectos sustentados? Treinadores com cabeça a prémio? Assim não teremos jogos de "encher o olho", espectáculos atraentes e consequentemente estádios bem compostos. Naturalmente a comunicação social também terá de ser à inglesa. Os artistas são os jogadores não os dirigentes ou comentadores. Aqui, vamos mais longe. Cerca de 12 h semanais, só TV, a comentadores, em debates deprimentes onde se promove tudo menos o espectáculo de futebol. Os espectadores? também à inglesa. Vibrantes, apoiantes fervorosos, incentivadores, apreciadores do espectáculo com uma cultura de fair-play.

Francisco Costa, Técnico de Arbitragem