O primo-sobrinho-trineto em 2º grau do 1º Barão e 1º Visconde de Nossa Senhora da Luz, atual ministro da educação, matemático de formação, que estudou nos Estados Unidos, onde passou a ser um neo-liberal assumido, depois de ter alinhado nos anos 70 com o braço estudantil da Partido Comunista Reconstruido (PCR) de inspiração albanesa e maoista, acha por bem que se constituam turmas separadas de bons e maus alunos. Provavelmente esta será uma síntese da sua costela aristocrática de sangue azul e da outra costela ideológica de cor vermelha. Na verdade as sociedades tanto no antigo regime monárquico absolutista como nos regimes comunistas gostavam de fazer separações. No primeiro caso em função das origens e respetiva herança no segundo em função do comportamento social e do pensamento ideológico, grosso modo. Em ambos os casos uma larga maioria de pessoas estavam condenadas à vergonha, à pobreza, à desgraça e até à morte. Posto isto pergunto quem são os bons alunos? Os que sabem mesmo ou os que tiram boas notas? É que há uns marrões que estudam para testes e exames, tiram boas notas e no dia seguinte não se lembram do que decoraram. Há os que sabem relacionar conceitos, tirar conclusões, dar opiniões, têm criatividade mas não respondem às perguntas dos testes tal e qual como alguns professores querem e as notas são boas mas não tanto com as dos marrões. E aquele aluno esforçado, trabalhador que dá tudo o que tem mas as suas capacidades intelectuais não lhe permitem chegar aos níveis esperados pela escola é um mau aluno? Afinal um copo pequeno e um grande cheios de águas não estão os dois cheios? E os ditos maus alunos quem são? Os que não sabem? Os que não estudam? Os que se portam mal? E os maus alunos são maus porquê? São os problemas familiares, dificuldades cognitivas, questões psicológicas profundas? Os professores não têm nada que ver com o facto destes alunos serem maus? E o que se quer fazer com as turmas dos bons alunos? Formar pessoas ou cavalos de corrida? São as competências que se querem estimular e desenvolver ou a competição? Estas e muitas outras perguntas são inevitáveis perante esta concordância do senhor ministro em instucionalizar esta prática que no fundo já se faz em algumas escolas para não dizer em muitas. Vejam-se quem são os alunos das turmas A,B e C, por exemplo, aqui mesmo na Madeira, das várias escolas. Quando não são os ditos melhores são os de condição social mais alta, turmas essas que os professores mais velhos têm o direito de escolher ficar com elas e as "outras" turmas ficam para os professores mais novos e sem experiência...!? Todas estas questões são de fácil resolução para um matemático. É tudo uma questão de números. Quem tem boas notas é bom e quem tem más é mau. Que respeitar, na constituição das turmas, a heterogeneidade do público escolar, como diz a lei, deve ser dificil, deve. Até porque é preciso resistir à pressão de alguns pais que querem os filhos em determinada turma e em determinado horário. É preciso aguentar os professores que já não estão para aturar certa rapaziada e só querem os melhores. É preciso arranjar complementariedades para os "maus alunos". É preciso ajudar os que têm dificuldades cognitivas e lidar com os que têm problemas de educação mesmo...enfim uma trabalheira! Assim os que têm boas notas seguem em frente, os que têm más ficam pelo caminho...(deixam a escola eventualmente) e os que se portam mal são expulsos porque os novos regulamentos assim o permitem. Quem tem unhas toca guitarra... e os neo-liberais que defendem o mínimo estado possível na sociedade sabem que essa é a lógica do privado, a competição, que deixa na margem os mais frágeis. Ora isso significa um retrocesso civilizacional, bem longe dos tempos em que o Sr. Ministro gritava na rua" educação para todos". Se fosse possível também escolher os maus e os bons ministros talvez nos livrássemos deste senhor aristocratico-maoista-liberal e matemático ministro. Mas como os ministros são todos atematicamente bons e politicamente maus...

Paulo Santos