Recebi há dias o convite da Ordem dos Economistas para participar na VI Conferência Anual de Turismo. Tema geral: cultura. Achei curiosos os temas dos painéis: o elogia da diferenciação, identidade cultural na oferta turística e o evento cultural como produto turístico. Acho muito interessante que se tenha a cultura como tema de uma conferência sobre turismo organizada por economistas. Gostava, no entanto, de deixar um input, tendo por base a minha experiência profissional em turismo: a cultura é vista como uma mais valia, mas a pessoas não vêm à Madeira por causa dela. Aliás, não é totalmente verdade: algumas centenas de pessoas visitaram a Madeira durante dez anos consecutivos para assistir àquele que é porventura um dos maiores eventos mundiais ligados a Bach: o Madeira Bach Festival, que marcou a Madeira ao longo de dez anos na década de 1980. Festival do Atlântico, festas do vinho, flor e carnaval? Quem estiver cá até gosta, mas não tenho encontrado quem cá venha de propósito para nelas participar. Mais depressa, e tendo em conta o "turismo étnico" que parece ser a mais recente aposta do Turismo, há quem cá venha de propósito para participar nos arraiais… A cultura tem para mim a virtude de servir dois públicos: o dos visitantes e o dos residentes, mas não me parece que, por si só, possa ser a solução para incrementar uma procura sustentada de maior qualidade e com maior poder de compra. Vamos deixar de jogar areia para a cara das pessoas. Vamos tratar a sério o que é um assunto sério. O turismo é indissociável do futuro da Madeira, e o que fizermos agora vai necessariamente condicionar o nosso futuro. E eu gostava de (voltar a) acreditar no nosso futuro em comum. Vamos deixar de fantasias: o turismo é na Madeira um assunto demasiado sério para ser deixado aos políticos e burocratas.

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Roberto Loja