As melhores obras de ficção científica são aquelas que nos forçam a reavaliar os nossos pressupostos sobre o mundo. Um dos livros que se enquadra nesta categoria é "A Guerra das Salamandras" do escritor checo Karel C(apek - lembrado principalmente por ter sido o criador da palavra "robot". "A Guerra das Salamandras" foi escrita em 1936 e começa com o relato da descoberta de uma nova espécie de salamandra inteligente numa ilha em Sumatra, capaz de aprender a falar e a utilizar ferramentas. Os descobridores desta nova espécie rapidamente começam a utilizar as salamandras como mão-de-obra gratuita para procurar pérolas. Naturalmente, o passo seguinte é a escravização dos bichos e a montagem de um negócio mundial para explorar e rentabilizar ao máximo o potencial produtivo das salamandras e assim um grupo de pessoas passa a ganhar muito dinheiro à custa destas criaturas. A história acaba mal, porque as salamandras multiplicam-se, aprendem, desenvolvem a sua própria inteligência e apercebem-se que estão a ser exploradas, por isso revoltam-se e decidem explodir parte dos velhos continentes para ganhar maior "espaço vital" para a sua raça. Curiosamente, assim que começam a dominar o mundo, as salamandras acabam por repetir os erros dos humanos, porque deixam novamente que a ganância sem escrúpulos se imponha. O livro de C(apek deixa-nos a pensar que ninguém aprende a lição e que parecemos estar num ciclo "condenado" a repetir-se… até um dia.

Roberto Macedo Alves - Desenhador de BD