Faço alusão a este tema, pois encontra-se, cada vez mais presente nas agendas de todas as políticas educativas contemporâneas e no que respeita à Região a sua relevância está no facto de que a tão falada batalha da autonomia só se ganha, de facto, na educação. Afinal, o que é que está em causa no investir nas pessoas, ou seja na educação senão o reencontro da harmonia e equilíbrio entre a identidade e individualidade (pessoal, cultural…) de cada um e a concepção global do mundo num processo de construção de sentido para a vida. Não podemos assistir, impávidos, às constantes hesitações neste domínio que tendem a dar atenção a apenas certos aspectos periféricos e não tocam nas tarefas nucleares, que adiam decisões essenciais que põem em risco projectos, pois há oportunidades que batem à porta uma vez só e nunca mais voltam. Chegamos, então, a um ponto de ruptura, pois as forças de mudança obrigam a tomar medidas urgentes para a sustentabilidade e melhoria do processo educativo. Seremos bem sucedidos? O que devemos mudar? Antes de mais as entidades educativas e os seus profissionais têm de mudar a atitude, tão frequente, de resistência à mudança. O que importa é adaptar-se às circunstâncias, aos desafios, sem perder o sentido de orientação, nem cair na situação de imobilismo. Depois, têm de fazer um esforço para ultrapassar e mesmo banir as estruturas burocráticas de tendência monopolizadora e centralizadora. Estas estruturas, sob a capa de modelo democrático, limitam-se, muitas vezes, à rigidez dos números (e dos votos) não permitindo apostar no futuro, nem inovar nas estratégias. Só uma revisão dos órgãos de poder e um equilíbrio dos mecanismos de gestão poderá levar ao desenvolvimento de projectos e de estratégias capazes de responder às prioridades educativas que a formação e educação das pessoas apresenta hoje. Têm ainda de ultrapassar, sem demoras, a perspectiva do protagonismo docente, de uma escola ao serviço de critérios corporativos (carreira, currículo). As escolas existem para os estudantes e por causa destes é que há professores. É necessário que o processo educativo esteja focalizado nos alunos para poder concretizar a tarefa, nada fácil, de prepará-los para viverem num mundo que terá certamente mudado muito quando deixarem a escola. Neste contexto, ou a escola se reconcilia com os alunos e estes encontram novamente sentido na escola ou então, vai agravar-se ainda mais o fenómeno do insucesso escolar e, sobretudo, do abandono escolar. É crucial impedir que as pessoas abandonem a escola antes de terem desenvolvido a capacidade de viver com os outros de forma útil para si e para a sociedade. Por fim, as escolas têm de abrir-se a novos públicos, especialmente através da formação contínua ou da educação ao longo da vida, nas suas diferentes modalidades (presencial, on-line), de forma a termos pessoas mais produtivas e cidadãos mais activos. Em suma, o processo educativo deve proporcionar uma formação que permita às pessoas exercerem ao longo da vida um conjunto diferenciado de actividades e que prepare cidadãos que, entre as muitas coisas que sabem e fazem, uma delas é trabalhar. E, neste processo, tem um papel insubstituível o professor, que é hoje um profissional de futuro que exerce uma das tarefas mais apaixonantes da vida humana.

Marco Gomes, Director Pedagógico da APEL