O título faz sentido na opinião de Marcos Rosa, empresário hoteleiro natural de S.Vicente, em recente entrevista ao Diário de Notícias da Madeira (26.03.2012). Não é por conhecê-lo e ter acompanhado o seu percurso profissional que comungo das suas palavras. É porque tem razão no que diz. De facto, a Costa Norte, centrada fundamentalmente nos concelhos de S. Vicente e Porto Moniz (Santana tem hoje outra acessibilidade do Funchal) iniciou o seu percurso turístico com base na necessidade de encontrar uma actividade para os turistas estrangeiros (incluídos os continentais) nas suas estadas no Funchal proporcionando-lhes um excelente passeio pela ilha com almoço incluído. Começou-se com os restaurantes mas logo surgiram os hotéis pela mão de empresários do Funchal (Pensão Lar da Baía) e do Porto Moniz (Dâmaso Ponte e outros) e, mais tarde, o Sr.Marcos Rosa. Deste modo, foram-se constituindo os elementos necessários para a formação de um destino turístico através dos recursos naturais existentes (mar com piscinas, montanha, turismo activo e gastronomia) e da estruturação de uma oferta que possibilita hoje a vivência de experiências completas. Só que não se alterou o modelo de promoção baseado exclusivamente no destino Madeira com forte representação da capital do arquipélago, descurando-se destinos autónomos como a Costa Norte ou até mesmo Porto Santo. Quando Marcos Rosa fala dos mercados módicos e austríaco cujos turistas se alojam nas suas unidades está a indicar, e bem, que se pode conhecer a Madeira alojando-se fora do Funchal sugerindo em consequência que se faça uma promoção específica do Norte da Ilha para os mercados ou segmentos que citou, incluindo o regional. Mas, não é isso que se faz. As próprias autarquias envolvidas não são ouvidas nem achadas na promoção que se faz do seu território mas também não se chegam á frente nas opções que lhes concernem ou possam vir a interessar na matéria. Nem, tão-pouco, aproveitam a corrente turística para beneficiar as suas populações ligando a actividade turística a outras actividades do concelho. Em suma, o turismo parece vir por acréscimo e quem mais se devia preocupar com o seu desenvolvimento está ocupado apenas com a realização de pequenas infra-estruturas físicas (caminhos, fontenários, etc) ou com estruturas maiores mas mais do agrado de quem parece só preocupar-se em angariar votos. Nem que a factura apareça mais tarde…
Nuno Jardim Fernandes, Gestor