Gerir é fácil, o que é difícil é gerir bem. Gerir não é dar ordens, é fazer com que todos participem nos processos e façam as coisas funcionarem pelo melhor. Poupa-se logo por não ter "um polícia" atrás de cada pessoa. É fácil mandar os outros pouparem, ou ser miserabilista e viver como um "unhas-de-fome". Encontrar os equilíbrios necessários para viver tão bem quanto possível, já exige alguma "arte" (ser um gestor competente). Se cada um tiver consciência dos custos associados às opções que se fazem, é mais fácil gerir os equilíbrios possíveis para rentabilizar o "bolo" disponível para gastar/investir. A mesada pode ter um valor variável em função da forma como é distribuído o "bolo" disponível para gerir a vida familiar. Por exemplo, 50% do que se conseguir reduzir com as facturas da luz, do gás, da água e do telefone revertem para a mesada. Talvez dessa forma os pais não tenham de constantemente "andar a brigar" porque as luzes ficam ligadas, porque demoram muito tempo no duche … Claro está que pode ser uma opção passar mais tempo no duche e ter menos mesada, mas nesse caso é uma opção que é feita pelo próprio jovem. Exemplos semelhantes poderiam ser dados com a compra de roupa, com a alimentação, com as férias, com a aquisição de um carro ou de uma casa, etc. No fundo a mesada é apenas um instrumento do processo pedagógico que pode desenvolver capacidades e competências relacionadas com a tomada de decisão, o espírito crítico, a capacidade de adaptação, etc. Nesta altura já o leitor deve ter pensado "mas o que foi dito para a mesada aplica-se a muitas outras coisas e áreas, por exemplo um subsídio, uma subvenção, etc". Obviamente. Aplica-se a tudo aquilo que implique um investimento com uma intencionalidade, à gestão e à rentabilização dos meios disponíveis e ao seu desenvolvimento... Tomo a liberdade de sugerir, caro leitor, que pense como é que algo do género pode ser aplicado na gestão dos dinheiros públicos no desporto e na educação. Como se pode investir responsabilizado (dando margem para fazer opções) os actores de cada processo (alunos/desportistas, professores/treinadores, encarregados de educação, dirigentes, etc.)?
Hélder Lopes, Professor