Entre um cá e lá de uma demanda por uma religiosidade cada vez mais ausente, assim que o calendário dá o sinal de partida a esporadicidade das reflexões e pensamentos espirituais é interrompida em nome de uma festiva busca por um equilíbrio entre o Humano e o Divino, fenómeno fascinante numa terra á espera de milagres. Mas, entre o pendular das festividades religiosas, muitos motivos teríamos nós para sorrir, ao fim ao cabo as festividades são puros momentos de lazer e convívio, seja qual for o motivo que as invoque. Ao contrário do que é suposto acontecer, neste momento, um ano após o pedido de resgate ao Fundo Monetário Internacional, nós portugueses temos motivos vários para não sorrir, mas sim ter emoções dignas de um puro fado. Filhos de um Deus menor, o povo desta terra que muito se entregam, têm sido vítimas das desventuras dos politiquismos conhecidos pela pragmática de um individualismo escondido por detrás de um nó de gravata. Individualismo esse que em nome da sua tríade pouco divina "Finança, Banca e Negócios", pouco se importa e pouco quer saber se este ano à mesa de muitas famílias a Páscoa foi composta por tudo menos alegria. Entre o comum da crença de um Deus único e benévolo, somos diariamente dilacerados e postos de parte em nome de "deuses" cuja causa está aquém do dó e da compreensão pelo sofrimento humano. Mas, sentemo-nos, enquanto entre a Assembleia e o Governo se prega uma missa em dotes de maldição generalizada, e como sempre, no momento mais inoportuno e impróprio actuemos como bons devotos e façamos uma vénia.

Diogo Gonçalves, Colaborador da Associação Académica da UMa