Vivemos durante largos anos do crédito e não do orçamento. As receitas fiscais da Região, que são na ordem dos 700 milhões euros, que ficam todas na RAM. A estas, somam-se as transferências do Orçamento de Estado, na ordem dos 300 milhões de euros, e cerca de 50 milhões de transferências da União Europeia. O orçamento real deveria ser, assim, na ordem dos 1.100 milhões de euros, mas a verdade é que os orçamentos foram sempre feitos na base dos 1.500 milhões de euros. Definia-se a despesa e empolava-se a receita. Quer isto dizer que durante anos vivemos claramente acima das nossas possibilidades. O Governo Regional Madeira foi sendo alertado, repetidamente, para o facto de se estar a endividar acima do razoável e para o facto de estar a fazer investimentos sem retorno económico e social. A todos os alertas fez "ouvidos de mercador". Tudo isto levou à ruptura financeira, ao subsequente pedido de auxilio, materializado numa péssima carta de intenções e consequentemente num mau plano de resgate. Em resumo, o Governo Regional do PSD, para fazer face ao buraco financeiro que criou, tinha de encontrar receitas adicionais e ao mesmo tempo cortar na despesa. Optou, no entanto, por aumentar excessivamente os impostos, com objectivo de arrecadar mais 115 milhões de euros, penalizando ainda mais os Madeirenses. Depois de ter assinado o plano de resgate, aprova-o na comissão de economia e finanças da Assembleia Regional e recentemente aprovou o orçamento regional para 2012, que incluía todos os aumentos de impostos. Curiosamente, na Assembleia da República mostrou as suas "duas caras", votou contra tudo que tinha votado favoravelmente na Madeira, tal como o aumento do IVA ou do ISP. Ficou claro que o PSD, além de ter um comportamento bipolar, sofre do síndroma da negação. Chegou a hora de assumir as suas responsabilidades perante os Madeirenses.
Rui Barreto, Deputado do CDS-PP/M