Dores Andrade Hoje, o tempo revela-nos que nada nem ninguém são merecedores de confiança. O egoísmo que reina, deitou a perder por terra fora o que de mais nobre existia. Hoje, o amor é quase inexistente. Deixou de ter forma e consistência, as almas são despidas, os corações são vazios, apenas a fome e a sede permanecem, num puro engano de ilusões e de aparências, e assim vivemos neste mundo cruel. Fala-se em renascer, em redimir-se dos erros, mas que seres humanos somos nós, que nem consciência tem? Palavras que magoam, atitudes que desprezam, gestos que marcam, aqueles que brincam com os sentimentos alheios, seres humanos que se tornaram em animais, sem respeito, sem amor, mentes desprezíveis, de maldade de nulidade. Apela-se pela solidariedade mas poucos são capazes e verdadeiramente demonstram. Ninguém dá nada sem esperar algo em troca. Fala-se da velhice, da solidão, mas quantos são os que nela pensam? Incapazes de verem que somos o alvo a longo prazo dessa derradeira condição de vida. A injustiça social que cresce de forma descomunal. A esperança que deixa de fazer parte do dicionário da vida. A Fé que se perde por tantas contradições assistidas. O amor que deixou de ser a fonte que alimentava a humanidade. O conceito família que ganhou outros contornos. O matrimónio que perdeu todo o sentido, rumo e convicção. Que seres humanos se transformaram, que somos incapazes de mudar? Valores, para onde foram? Valores…procuram-se!