Recomendei a leitura dos textos de Joana Peixoto. Ela voltou a escrever a 20/3 no JM. José Rodrigues fê-lo, no DN, a 27/3. Ambos abordam a falta de dinheiro no bolso das pessoas. Joana fala das bolsas dos universitários. José aborda questão mais vasta, o trabalho sem remuneração. Não conheço nenhuma das pessoas. Havendo quem recorra a pseudónimos, atrevo-me a um juízo de valor. Joana ao falar das bolsas fala da árvore, esquecendo a floresta, ao contrário do José que coloca a questão com toda a dureza. Compreende-se que o José se sinta transtornado quando a ele e à mulher, tendo trabalhado, lhes dizem que aguardem até ser possível liquidarem-lhes o salário. Porquê? Países Soberanos criam a sua própria moeda. Todos os Países, em conjunto, acertam as regras do sistema financeiro internacional. Aquilo que acontecer dentro das fronteiras nacionais é da exclusiva responsabilidade desse Estado, sem que esqueça os compromissos externos. A confiança entre os Estados não pode ser quebrada. Umas moedas valerão mais, outras menos, mas elas são transacionáveis na base da confiança. Todos sabemos que se quisermos aforrar com segurança compramos ouro. Nunca ninguém perdeu dinheiro ao comprá-lo. Os Países estabeleceram, por isso, o padrão-ouro para garantir a convertibilidade das moedas. Finda a 2ª guerra, foi acertada a convertibilidade a $35/oz. O nosso País, ao contrário doutros, manteve-se fiel ao ouro. As reservas cresceram, graças aos mineiros moçambicanos, às exportações têxteis, às remessas dos emigrantes e, mais importante que tudo isso, à confiança no fraco escudo com reduzida fuga de capitais. Portugal vendeu ouro a $110/oz em vez dos $35 a que outros Estados, anos antes, se haviam rendido. O escudo beneficiou muito da valorização do ouro na crise anterior. A bancarrota evitou-se. Hoje não é assim! Ceará e Sergipe são dois Estados do Brasil. Um ataque ao real será dirigido ao Brasil, nunca a Sergipe ou Ceará. Na U. E., onde os Estados já não emitem a "sua" moeda, ainda cada um trata da envolvente externa que lhe toca. Não se criaram as leis que farão do euro a moeda da Europa. O euro tem que, na vertente externa, reflectir rígidas normas internas de disciplina orçamental. Conhece-se o problema desde o início da integração. Impunham-se as diferenças entre as economias do Norte e do Sul. Era a divisão entre os "Estados cigarras" (pobres e, agora, sem moeda própria) do Sul da Europa e os "Estados formigas" (também sem moeda mas ricos) do Norte. O Norte não deixa o Sul gastar sem controlo e nos Tratados iniciais isso era referido. Porém, pescadores portugueses de água-turvas, em nome de quem os elegeu, esqueceram os compromissos e contraíram enorme dívida. Travou-se, agora, a fundo para satisfazer compromissos evitáveis se tivesse havido juízo. Os passageiros foram projectados sobre o banco da frente que, no caso em apreço, se reflecte na falta de dinheiro. Pus o assento tónico na confiança que devemos ter nas autoridades financeiras lato senso. Elemento subjacente aos textos da Joana e do José. Falando das bolsas de estudo a Joana critica a UMa por sobrar mês e faltar dinheiro. José, sem rodeios, diz apenas que não lhe pagam. Ambos têm razão. O dinheiro está para a sociedade como o sangue para o nosso corpo. Garanto-vos que, se ele se reduz ou é produzido em excesso, sofremos. A confiança é fundamental diz, bem, a Joana! Transcrevo-a: "Para quem pouco tem, é uma autêntica falta de respeito, um desequilíbrio orçamental e uma falta de rumo para quem todos os meses "vê sobrar mês ao dinheiro". Os alunos não passam a ar, nem dispõem de serviço "fiado" nas universidades. Parece que honrar compromissos já não é coisa deste tempo". Está cheia de razão! A sua argumentação abarca o grito de revolta do humilde José. Joana é, apesar de tudo, menos eloquente que o Klauss de quem falei no mês passado. Proponho, por isso, apenas uma sonora salva de palmas para a Joana. Leitor, em Liberdade cabe-nos estar atentos àqueles que impressionando pelo discurso, pela qualidade das gravatas, pelo local da "homilia" e "paramentação" com que se apresentem enganam, tal qual os Serviços da Acção Social da UMa, denunciados pela Joana. Eles são moedas falsas, sem cotação. PS: São passados 59 dias desde que Klauss Friedrich tornou público, no JM, o elogio à obra do Sr. Pres. do GR e a sua crítica à Srª Merkel. Nunca mais foi lido! Penso que se muniu de um balaio de anonas e foi a Berlim fazer as pazes com a Chanceler. Um dia destes diremos: Aleluia. KLAUSS ressuscitou!

Gaudêncio Figueira