‘Todos pelo Centro, Todos pela Madeira’ é o título da campanha que o DIÁRIO tomou a peito e pela qual vestiu a camisola junto com a Associação dos Profissionais do Centro Internacional de Negócios da Madeira. Ontem decorreu a primeira iniciativa, depois da apresentação formal, no Teatro Municipal. O modelo, por ser pouco comum entre nós, criou a expectativa compreensível que qualquer coisa nova suscita, sobretudo numa sociedade que gosta de falar de novidades e de evolução, mas que nem sempre tem a abertura adequada para tal. Decorreu bem. Foi um sucesso. Com o envolvimento de muitos interessados, mas com o distanciamento incompreensível, mas esperado, de quem tem responsabilidade directa no dossiê e que, naturalmente, mais interesse deveria ter na rápida resolução dos problemas que agora criam constrangimentos que afastam empresários e empresas do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM). Quando há alguns meses assisti a manifestações públicas e algo exóticas (deixem-me aplicar o adjectivo face à exclusividade da atitude) dos profissionais do CINM no Funchal, nomeadamente a participação de algumas dezenas na Corrida de São Silvestre, envergando camisolas que levavam inscrições que alertavam para a evidência do desemprego e para as perdas que acarretava para a Região o abandono das empresas, entendi, numa primeira análise, que aquele “folclore” não passaria de uma demonstração inocente de um grupo de jovens profissionais, porque assim são, na verdade, a maioria. Tinham escolhido uma forma menos usual para manifestar o seu protesto. Inconsequente, como na maior parte das vezes, em que se pretende demover os que têm a faca e o queijo na mão. Sem efeitos, já que a candura da juventude nem sempre é levada a sério pelos que agarram o voto do Povo e dele dispõem como saco de batatas ganho numa rifa de feira. Com o lançamento desta campanha, e embora não tenha a certeza da influência prática das acções, não posso deixar de saudar a razão que lhes assiste na defesa dos seus postos de trabalho, e a maneira como conseguiram virar, para já, a seu favor as forças políticas que antes – há poucos meses, calculem!... – tinham uma posição algo dúbia acerca do futuro do CINM. Poderemos ter algumas dúvidas acerca da justeza ou não do funcionamento de um centro como este, considerando fugas ou subterfúgios que alguns dos actores possam utilizar sobre este palco, mas a verdade é que não encontramos o condenável que algumas forças políticas ou opiniões iluminadas de outros seres que são contra tudo o que mexe, quando a iniciativa não parte deles, encontraram para basear as longas e inexactas justificações que quase conduziram ao apagamento do CINM. E as dúvidas que possamos ter, serão melhor esclarecidas quando descobrirmos como funcionam outros centros de iguais características em praças de todo o mundo, e que colhem o carinho das entidades governamentais e o apoio das forças políticas que as sustentam. Ontem, dizia um economista e político – por acaso da oposição, por isso arrisca-se a ser menos ouvido por quem decide – que Portugal e a Madeira deveriam desenvolver um trabalho de ‘benchmarking’ com outros centros internacionais e que junto da Comissão Europeia deveríamos insistir em acções de pressão, o que se designa desde há muito por ‘lobbying’, de modo a fazer valer a justeza das reclamações que hoje se fazem, contra a maldade do Governo da República e o desinteresse do Governo Regional, pelo menos nos momentos iniciais de todo este processo. A ideia não é nova, nem sequer foi surpresa, e uniu todos os presentes. Não me admira que este governo que se diz de salvação nacional, mas que tem uma política que leva a economia à ruína e os cidadãos ao suicídio, tenha atitudes tão desastradas como o corte dos benefícios fiscais aos empresários e aos depositantes não-residentes na Região que aceitaram ter empresas e contas no CINM protegido por legislação europeia até 2020. O que me surpreende é o facto da própria Comissão Europeia e os deputados que nos representam em Bruxelas ainda não terem pedido explicações a Lisboa. Parece-me que o lóbi dos outros é muito mais forte que a nossa razão. Por isso mesmo, por não termos lóbis constituídos é que somos prejudicados. Também por termos políticos fracos que aceitaram servir-se da CINM como moeda de troca em negociatas com o “inimigo”, que agora negam, mas que, ao tempo, serviram os seus objectivos de governação. Esta campanha pretende falar do presente e do futuro. É isso que se pretende assegurar, exorcizando os pesadelos deste passado próximo que lança fantasmas sobre o CINM. Mas não tenhamos ilusões: não há neste processo almas do outro mundo; há, sim, umas almas baralhadas, que na busca da solução, ainda não descobriram que a única saída, para manter a economia regional activa e menos dependente, é esta.