Pedro Freitas Foi enquanto olhava o mar que decidi brincar um pouco ao jogo das diferenças. De um lado ficaria a Madeira, do outro, o resto do mundo. Não que eu tenha visitado os quatro cantos do mundo nem navegado em todos os seus oceanos mas, ao deparar-me com tamanha beleza sempre que cá resolvo meter os pés, nem precisaria sair daqui para poder afirmar com toda a convicção que, realmente, não há lugar tão naturalmente cativante como este. Digo isto porque aqui não foi necessário erguer pirâmides nem torres, tão pouco nos passou pela cabeça criar arquipélagos artificais nem pontes megalómanas para que conseguíssemos ter lugar cativo em todos os livros turísticos que se prezem. Ora, as diferenças são visíveis a olho nu, e depressa me faltaram palavras para descrever o óbvio, já as semelhanças, requerem sentidos mais apurados e uma imaginação fértil com uma dose q.b de ironia. Aqui, tal como na China, só entra no governo quem tem influências. Tal como em qualquer ditadura por esse mundo fora, os carteiristas não andam de metro, mas sim em luxosos carros com uma peça metálica que os torna imunes a qualquer tipo de multa. Também partilhamos com os franceses uma certa fobia a tudo o que é estrangeirada residente, a não ser que vistam a camisola do maior das ilhas. Como já todos sabem, não são só os nuestros hermanos que nutrem ideais separatistas mas, tal como lá, as organizações terroristas criadas para esse efeito fazem já parte do passado. Como em qualquer outra ex-colónia, só percebemos que algo está mal quando somos invadidos, seja por um militar ou, neste caso, por um contabilista. Aqui na ilha, tal como em qualquer lado que não fale português, a resignação é a única resposta a quem nos manda para o *******. E, com sorte, até os premiamos com um voto nas eleições seguintes que, tal como em África, carecem de transparência. Também na Madeira baixamos a cabeça a qualquer tipo de injustiça mas, na ilha o nosso Alá não é um vulto, aliás, o excesso de peso torna-o bem visível. E, para as mentes retrógadas tudo o que este personagem faz ou diz, é sagrado...