Foi um prazer ver o Estádio dos Barreiros, cheio de espectadores nos locais permitidos, assistindo ao último dérbi entre o Marítimo e o Nacional. O Marítimo, a fazer um brilhante campeonato, e o Nacional ao encetar uma recuperação de baixo para cima, deixaram a verdadeira imagem do futebol que a Madeira precisa. Independentemente do resultado, os dois clubes estão de parabéns. Por outro lado, entristece ver o nome do União nas bocas do mundo, mercê das dificuldades que ora atravessa. Alguns bons unionistas tudo têm feito para ajudar o Clube a superar esta fase menos boa, e esperamos todos que tudo volte ao normal e que a manutenção seja conquistada rápidamente. Esta crise que o País vive é geral e veio para ficar. Os combustíveis ao subirem novamente, acompanhando a subida generalizada que o governo determinou trarão mais fome a quem já é pobre. Gostaria agora de ver o Dr. Paulo Portas, com a euforia de 2008 quando estava na oposição, ir abastecer o seu carrito a Espanha acompanhado de alguns amigos jornalistas. Pimenta no rabinho dos outros era colírio para os seus olhinhos na altura, não era? Agora que já não está na oposição é que deve pôr em prática aquelas maravilhosas ideias, toda aquela mise en scène. Ou foi só demagogia ? Pois, pergunta tola… O grande Carlos Drummond de Andrade dizia que pelas notícias de ontem, publicadas hoje, devemos temer os jornais de amanhã. Ora esta democracia já tresanda e não passa de uma superstição estatística, como bem disse Jorge Luis Borges. É óptimo ter esperança, mas está cada vez pior depender dela. Rousseau, um dos mentores da revolução francesa disse que uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém, e ninguém seja tão pobre que tenha que se vender a alguém. Ora, os sucessivos governos de Portugal têm feito exactamente o contrário pelos seus concidadãos. Para agradar ao trio de fora, devido aos desmandos de alguns de dentro, qualquer dia estaremos nús e esquálidos. Esta pseudo-honra tem um preço tão elevado que poderá acabar numa trágica revolução. Cuidado ! Até breve.

João M. M. Castro, Psicólogo clínico