O Governo da República ainda não tem um ano de vida e já coleccionou broncas que, não fosse vivermos tempos de tragédia, seriam suficientes para levar um cartão vermelho e ser devolvido procedência. Se levasse as suas competências à letra, o Presidente da República poderia demitir Passos Coelho, com a justificação, real, de que está a violar os compromissos eleitorais, como o seu antecessor já tinha feito. É óbvio que Cavaco não o fará, porque do que este País menos precisa é de eleições e a coligação no poder até parece estável, pelo menos até Portas ver a tendência das sondagens. Mas lá de que este governo não merece confiança restam poucas dúvidas.

Em menos de um ano, a pancada já foi demais. Só na última semana, adiaram o regresso do subsídio de Natal e das férias da Função Pública para 2017 - até lá serão dados uns prémios reduzidos -, suspenderam as reformas antecipadas, deixando muita gente com a vida completamente baralhada e chegaram à conclusão de que tinham desbaratado as reservas da Segurança Social. É certo que foi para acertar o défice, mas também é certo que a conta das reformas e das pensões entrou no vermelho. Muita desgraça para uma semana só.

Agora, é a vez de o FMI chegar a uma brilhante conclusão que só prova que os génios da finança são todos umas nódoas: sem estímulos, a economia portuguesa não cresce em 2013. Quem diria? Surpresa total! Se não fosse uma tragédia, era a anedota do ano.

Uma estupidez ao nível de todos aqueles génios, como o presidente do Governo Regional, que há dois anos diziam que o melhor era que viesse o FMI, para ‘meter isto na ordem’. Será que ainda se lembram de ter dito essas barbaridades?