Os tempos desde 2010 têm sido difíceis. Aluviões, incêndios, bancarrota, desemprego e mais aperto fiscal, são itens deste cabaz de desgraça. A natureza tem sido madrasta, mas há homens que com os seus actos e omissões, parecem facilitar a adversidade, que depois a justiça imputa aos deuses. Desde o "apagão financeiro" da região e do consequente "apagão autonómico", aguardamos o verdadeiro "reajustamento" da vida. A vida de quem sempre deixou a linha correr, à conta da cega governação e do voto clubístico. Há que sobreviver, àquilo que no dizer dos obcecados pela austeridade, "nos sai do lombo". Mas, que nunca sai das "arcas" da elite governativa, pois não há lombo que se queixe de ter "costas largas", plenos de tachos, sinecuras, e salamaleques graxistas com pancadinhas nas costas. A vida na Madeira está mais difícil. A "aluvião fiscal" cozinhada entre Lisboa e o Funchal, enche os vales da nossa vida, arrancando as sobras da pobreza, aprofundando a sepultura dos portugueses da Madeira. O Abril primaveril, marca o início da provação dum estéril e longo Outono madeirense, que sangra de desemprego, fome e autismo provincial, tão distinto de tudo o que nos fora prometido. Para quem já ficou sem acesso a medicação, alimentação, trabalho, casa, educação e transporte, não há maior "apagão" de vida e dignidade. Até comendadores querem emigrar. Estamos penando, num "Tarrafal" moderno. Vivemos o fardo que optámos, cujo engano será o amargo legado, das vindouras gerações de penitentes. Noutra autonomia, os açorianos manterão uma vida mais "atrasada", do que os seus sofisticados congéneres madeirenses. É o que distingue a terra da "falta de obra", e a evoluída terra do deleite da "dívida em abundância". Cada qual com o seu castigo. De costas voltadas, como bem convém.

Donato Macedo, Licenciado em CCO