Fernando Rodrigues Quando passo pela feira das oportunidades que está a decorrer na placa central da av. Arriaga, no Funchal, sinto um misto de enorme amargura e enorme revolta. Como é possível que em pleno séc. XXI, época em que a população é estatisticamente mais qualificada, ainda se admita a exposição/exploração de animais selvagens para "divertimento" do selvagem ser humano, auto-apelidado de ser superior? Não está em causa a necessidade de ganhar a vida daqueles que lá estão junto dos animais e que perguntam aos turistas: you wanna grab the eagle? or on bufo real? ao que muitos turistas respondem entre dentes e estupefactos: for what?, como tive a oportunidade de ouvir. Será que o ser humano, o tal que antropocentricamente se diz superior, não entende que sujeitar estes animais a este suplício é antes de mais de uma ignorância inenarrável? E as autoridades, teoricamente mais informadas, não deveriam impedir tal espectáculo? É que mesmo para o turismo da região é um péssimo cartaz, embora nesta sensível questão o que está em causa está para além do turismo ou qualquer outra actividade económica. Nem sequer se trata de manifestar com maior ou menor intensidade uma atitude piedosa, mas antes uma genuína compaixão que deve resultar simplesmente da compreensão que aqueles animais fazem parte de um ecossistema maior do qual também nós fazemos parte e que qualquer alteração, por menor que seja a esse ecossistema, significa o início do fim da humanidade tal como a conhecemos e identificamos. Mas o real sofrimento dos animais também é algo a que devemos estar atentos. Não temos nenhum direito que nos permita maltratar aqueles que não contribuem em nada para o nosso eventual sofrimento. Por outras palavras, somos peritos a fazer mal a nós próprios…