O Processo de Bolonha permitiu uma aproximação nos parâmetros do Ensino Superior da Europa, promovendo a mobilidade de docentes, de estudantes e a empregabilidade de diplomados. Através de Sistemas de avaliação e de acreditação (ECTS), tem sido possível às universidades caminhar num novo e equilibrado patamar de referências e cursos que, ao estarem abrangidos por um conjunto de regras, trazem à Europa uma nova dinâmica. Se do ponto de vista da maior parte dos cursos a mobilidade e equivalência é já uma realidade, no que diz respeito ao Ensino Superior da música muito há por fazer. A música exemplifica a diversidade das instituições, ainda com cunho nacional. A Associação Europeia de Conservatórios, tem desenvolvido esforços para modificar sobretudo mentalidades e procedimentos, no que diz respeito aos métodos de ensino (centrados no professor - aluno) para uma nova abordagem professor - aluno -instituição, com participação do próprio educando na avaliação da instituição bem como da sua aprendizagem. Se por um lado, a Europa é também liberdade de pessoas e bens, por outro, o conhecimento ao não ser reconhecido fora do âmbito nacional, torna-se inútil. Acontece na música, quando chega a hora de equivaler os cursos, as notas atribuídas e os diplomas. O problema atinge muitos músicos que se defrontam com esta questão quando submetem os seus certificados à acreditação, noutro país de acolhimento. Nos concursos para a admissão aos quadros das orquestras ou conservatórios, ainda se digladiam «escolas de leste» e «escolas ocidentais» numa bifurcação nacionalista, anterior ao processo de Bolonha e que vigorou nos últimos 200 anos. E, pensávamos nós, que a música era simplesmente universal, numa Europa que se diz ser para todos, mas que até na música, tem várias velocidades.

Vítor Sardinha, Músico