Paira sobre os portugueses dias cada vez mais sombrios face aos indicadores macroeconómicos que nos são dados a conhecer que auguram caminhos ainda mais difíceis do que imaginávamos. Como é tradicional em Portugal fala-se muito e sobre a actual crise economistas, políticos, comentadores e outros têm-se pronunciado, alguns directamente responsáveis pelo momento que atravessamos e que na forma como se expressam até parecem que nada fizeram, imputando total responsabilidade ao governo a degradação económica e social em que nos encontramos. O certo é que todos criticam mas não apresentam caminhos possíveis que não seja cortar nos rendimentos das famílias quer através da simples redução nos vencimentos, subsídios ou no aumento de impostos. Há bem pouco tempo, o economista Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, afirmava que só com cortes nos rendimentos não era possível recuperar a economia portuguesa pelas razões fundamentadas que equacionou. De repente parece que a gastronomia portuguesa, rica em azeite, caiu como gingas no seu estômago que o fez pensar à portuguesa ou seja não há alternativa às opções que o governo tomou. Entretanto o desemprego cresce a nível galopante, as famílias e as empresas não conseguem pagar os respectivos empréstimos bancários e o preço dos bens e serviços registam aumentos que condicionam ainda mais os parcos recursos financeiros dos portugueses. Acresce ainda a observação feita recentemente pela UTAD, Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República, que alerta para o facto dos encargos sociais estarem a registar aumentos não orçamentados face às condições sócio económicas das famílias e que as receitas estão a evoluir aquém do desejável pelo que é previsível que o orçamento possa não ser cumprido, afectando deste modo a meta do deficit orçamental o que poderá implicar novas medidas de austeridade. Como é possível vivermos num país onde falta uma verdadeira estratégia de desenvolvimento que alavanque a nossa economia e que contribua para o crescimento do emprego. O futuro deste país é cada vez mais incerto.
José Manuel Oliveira