Escolhi este tema por dois motivos: (1) por me identificar com algumas das suas ideias; (2) pela recente realização na Madeira do I Encontro Internacional em sua homenagem, sob o tema "Educação, Autonomia & Conscientização", numa organização da Associação Regional de Administração Educacional que decorreu no Fórum Machico. Infelizmente apenas assisti à abertura e à conferência proferida pela sua viúva, Nina Freire, que se deslocou de propósito do Brasil. Em cerca de uma hora fez uma resenha perfeita à vida e às ideias filosóficas de Paulo Freire. Uma aula de sapiência. Parabéns à organização por nos conceder este precioso bem educativo e cultural. Só lamento que mais professores e educadores não tivessem aderido a este Encontro. Mas falar de Paulo Freire é falar do educador, do pensador e do filósofo que defendeu ao longo da sua vida a Pedagogia da libertação - conhecida e investigada por todo o mundo. Pela dimensão e contributo do seu legado, questiono qual tem sido a nossa posição enquanto educadores de crianças e jovens, cuja preparação para a vida passa muito pelas nossas mãos. Na sua carta aos professores, publicada em 2001 no SCIELO, sob o título "Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra", a certa altura refere: "Partamos da experiência de aprender, de conhecer, por parte de quem se prepara para a tarefa docente, que envolve necessariamente estudar." Este grande pedagogo apela, insistentemente, à importância da aprendizagem continuada daqueles que têm a missão de ensinar, destacando que a mesma também advém dos nossos alunos. Este é um processo de passa pela conscientização - uma das etapas do seu método - ou seja, pela discussão e análise dos problemas reais com que os alunos se deparam, perspetivando uma melhor compreensão e conhecimento da realidade. E aqui, a instituição Escola tem um papel basilar, na valorização das experiências individuais e, consequentemente, na contextualização das aprendizagens. Daí que a filosofia de Paulo Freire esteja sempre atualizada e faça sentido, independente dos contextos em que a ação educativa ocorra.

Carlos Gonçalves, Docente do Ensino Superior