A partir do dia 20 deste mês os passageiros das companhias aéreas que realizam voos entre a capital portuguesa e a Madeira, voltarão a embarcar no Terminal 1 do Aeroporto Internacional de Lisboa. Os que utilizam a TAP ou a SATA Internacional. A excepção é para aqueles que embarcarem nos voos da transportadora britânica de baixo custo EasyJet, que monta ‘acampamento’ no barracão do Terminal 2. Possivelmente, no futuro, uma ou mais companhias que tenham as mesmas características de prestação de serviço, poderão abrir novas linhas para destinos domésticos em Lisboa, e ficar baseadas também no Terminal 2, onde, desde 2007, madeirenses e açorianos, tomavam o avião de regresso a casa. Para alguns ilhéus, agora talvez nem tantos quantos as centenas que se manifestaram ofendidos na sua dignidade quando a ANA – Aeroportos de Portugal decidiu criar o Terminal 2 para os voos no espaço nacional, o anúncio da mudança não foi tão pacífico quanto se esperava, nem tão saudado, como o seria logo após a contestada mudança. Desde então muita coisa mudou no Aeroporto de Lisboa. Por imposição da falta de espaço e face ao enorme tráfego que a infra-estrutura ganhou nos últimos anos, decorreram obras, houve expansão de portas de embarque, mas apertou-se demasiado a zona de despacho de passageiros, onde, em certas horas de tráfego intenso é impossível circular com alguma serenidade. Por outro lado, um aeroporto como o de Lisboa para os madeirenses que viajam na TAP ou na SATA – se esta, sequer, estivesse a realizar voos de Lisboa para a Madeira – é uma zona de passagem rápida para o avião. As lojas com artigos menos taxados (duty free) acabaram, os restaurantes custam os olhos da cara, e na confusão dos espaços comerciais que aparecem em tudo o que é espaço, os passageiros atrasam-se e os percursos para as portas de embarque são mais longos, sem contar com os muitos minutos que agora esperarão para a revista da bagagem de mão que é necessário sujeitar ao rastreio dos equipamentos de raios X. Estimamos que entre a chegada ao Aeroporto de Lisboa e o acesso de um passageiro à porta de embarque, se demora actualmente mais de uma hora. Se o passageiro tiver feito o ‘check-in’ por telefone ou internet, levará pelo menos 40 minutos, entre a entrada na fila de controlo de bagagem de mão e a chegada à porta onde irá embarcar. Isto significa que um passageiro que embarque para as ilhas em Lisboa nos voos da TAP ou da SATA terá de chegar ao aeroporto com, pelo menos, uma hora e meia de antecedência, se não mais, para evitar correrias ou demoras desnecessárias entre o ‘check-in’ e a porta de embarque. Mesmo com todos os defeitos que o Terminal 2 tinha – nunca achei que importunasse muito as minhas viagens, já que, normalmente, o utilizava para embarcar – e acho até que, neste momento, era uma mais-valia para os passageiros que passam apressados nas aerogares. Pequeno, à medida, e despachado. Neste mês voltamos ao Terminal 1. Os que estão a dar palmas não se esqueçam de chegar mais cedo, de se guiarem pelos quadros, já que a tendência é para não haver chamadas para os voos nos altifalantes, e de se certificarem das portas onde devem embarcar. Não se percam nas compras. Se o quiserem fazer, cheguem muito mais cedo, porque na realidade, o Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa está transformado num interessante ‘shopping center’ para turistas. O conforto que, eventualmente, os passageiros terão neste regresso, não compensa o reboliço e o aperto que lhes reserva a labiríntica aerogare do Aeroporto de Lisboa, superlotada com os voos internacionais e cada vez com aviões de maior capacidade. E escrevo esta crítica com alguma decepção, porque quando o Terminal 2 abriu fui dos que pensou que o ‘barracão’ seria muito desconfortável para todos nós, e escrevi isso algumas vezes… A ‘seca’ será agora esperar em filas de centenas de pessoas e tentar escapar com malas e crianças ao intenso tráfego dos corredores de acesso às portas de embarque, nas horas de ponta. Aprendi a lição: falar antes de experimentar ou testar não dá bom resultado. Quanto ao facto da ANA atribuir o Terminal 2 às companhias de baixo custo isso é outra história que, no momento, não cabe neste escrito. Cliente de todas as companhias, escolhidas muitas vezes face ao saldo bancário do momento, espero utilizar os dois terminais. Talvez opte pela companhia que garanta melhor preço e pelo terminal que assegure despacho mais rápido. Uma conjugação difícil ou quase uma rifa?!... Boa viagem para todos!