Juvenal Pereira - Ora viva. Que vos trás por aqui? - Boas novidades para si. - Ainda bem, porque de más… é do que há de mais! - Como o senhor - com todo o seu pessoal - tem feito um trabalho fenomenal nesta Região, a Administração Geral em Lisboa, achou como coisa boa, lhe dar a merecida compensação. - Obrigado. Fico muito sensibilizado. - Atendendo à sua idade um pouco avançada e à sua saúde deveras fragilizada, foram tomadas algumas deliberações que visaram, fundamentalmente, alivia-lo de certas funções e preocupações. - E quais foram as decisões? - A partir deste momento, o senhor continuará nesta nossa" sucursal" como gerente, mas tudo o que diga respeito a dinheiro, (recebimentos e pagamentos) grandes transações, assim como orçamentos para enormes obras, construções, ficam fora das suas atribuições. - Oh, diabo, já estava a ver que coisa boa não vinha daquele lado. Então depois de eu realizar um trabalho de enorme grandeza, primando pela qualidade e controlo rigoroso das despesas, aliás, por toda a gente elogiado, vêm agora me transformar, digamos, num " pau mandado"? - Não leve a questão para esse lado. O que foi deliberado, teve somente em conta a sua idade, o seu trabalho e, no que diz respeito à saúde, o seu estado. - E…quanto ao meu ordenado? - Tivemos isso também em atenção. Continuará a recebê-lo acumulado à pensão. Aliás, como se pratica até com certos inaptos e oportunistas nesta Região. - Sendo assim já merecem a minha compreensão. No entanto, ao longo destes anos, eu criei muitas afinidades com alguns clientes e fornecedores, prometi-lhes que até a minha morte podiam contar comigo até na prestação de favores e… agora… para satisfaze-los, fico à nora! - Nós já tínhamos conhecimento desse vosso amistoso, honesto e desinteressado envolvimento. - E tiram-me o dinheiro então para eu ficar com as "calças na mão"?! - Não. Vamos dar-lhe umas senhas de consumo em substituição. Senha de alimentação que lhe permite comer e beber, só ou acompanhado; de viagem, que pode ir também com alguém a seu lado e até umas de consumo indiscriminado que pode usar sem ser controlado. - Fico mais conformado. Já agora, só um" pedidozinho" queria fazer. Para mim, não, Graças a Deus não tenho essa tentação, mas para uns meus amiguinhos que gostam de…compreendem... dar umas" voltinhas" fora de casa . Será que não lhes arranjamos umas senhas para as tais "vitaminas" que compram na farmácia? - Não lhes deixamos que falte nada. O importante é que se divirtam e, sobretudo, que saiam daqui. È bom para eles, ótimo para si. E para todos nós, pode crer, é o melhor bem que Deus Nosso Senhor pode fazer! - Compreendo, só tenho a agradecer!