A série britânica dos anos 80 relatava as peripécias de um ministro de um recém-eleito governo. Este, determinado a fazer algo positivo para manter e promover o seu nome decidiu, como uma das suas primeiras medidas, cortar nas despesas extra do governo. Três décadas depois surge em Portugal um ministro que também tem tido o condão de cativar o público com as suas peripécias. Depois de muitos anos passados a leccionar no Canadá, o ministro não demorou muito tempo para quebrar o gelo e logo na sua apresentação pediu ao país que o tratasse pelo nome próprio. Assim, Álvaro, como pediu para ser conhecido começou a sua aventura no regresso ao país de origem. Ainda mal conhecia o estado em que o país se encontrava e já anunciava que 2012 seria o ano do fim da crise. Facto que, partindo do princípio que o ministro não encontrou petróleo em Portugal, dificilmente se concretizará. Meses mais tarde e já após analisar o estado do país e ponderar sobre as estratégias que poderiam alavancar o seu crescimento chegou a uma conclusão: a solução para os problemas da nação poderiam ser resolvidos com pastéis de nata. A sua ideia seria exportá-los, no entanto, não fez o trabalho de casa e como tal não percebeu que já existiam empresas a fazê-lo. Mais recentemente, o ministro, voltou ao centro das atenções ao admitir demitir-se após saber que a aplicação do dinheiro do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional) não irá estar sob tutela do seu ministério, mas sim do ministro das finanças. Apesar do óbvio "erro de casting" é necessário ter em consideração que Álvaro tem à sua responsabilidade um mega ministério que agrega a pasta das obras públicas, telecomunicações, energia, emprego, etc… No entanto, a sua actuação tem-se pautado por lapsos e intervenções lastimáveis. 30 anos após a exibição da serie britânica, voltamos a ter um ministro a entreter o país em horário nobre. Aguardamos ansiosamente pelo próximo episódio.
Pedro Nunes, Economista