RN O Parque Santa Catarina é um local emblemático na cidade do Funchal! Tinha por hábito levar os meus filhos ao parque infantil aí situado, espaço agradável com uma excelente vista e propício a um final do dia em família! Nos últimos dias abdiquei desta saudável rotina com muito pesar. Há dias, um senhor resolveu entrar na zona infantil com o seu cão que, de imediato, soltou para brincar com as crianças, ignorando assim o sinal que proíbe a entrada destes animais. O cão correu, brincou e fez as suas necessidades na relva e junto ao escorrega sob a total indiferença do seu dono. Comportamento lamentável, considerando os malefícios para a saúde pública e evidente ausência de cidadania colectiva. Esta semana voltei à zona infantil do parque no final do dia e vivi mais um desagradável episódio. Quando entrei, estavam uns adolescentes deitados nas mesas de ténis-de-mesa com comportamentos que exigiam alguma privacidade; outros de pé nos baloiços em actos evidentes de vandalismo gratuito e outros entretidos a escrever com corrector nos brinquedos dos miúdos. Imagem degradante de uma geração que terá a responsabilidade de assegurar um futuro. Do outro lado do parque infantil, um conjunto de homens, sem acompanharem qualquer criança, reunidos em grupo, a beber bebidas alcoólicas e com um comportamento não desejado a uma zona infantil. A solução por mim encontrada foi abandonar o local e quando pensei num outro parque infantil no centro do Funchal para levar as crianças constatei que a oferta é mínima. Lembrei-me do parque da Ajuda, local excelente, mas que actualmente está transformado num espaço cada vez menos atraente, com um parque infantil descuidado, lixo e dejectos de animais que evidenciam a dificuldade de uma cidadania consciente e responsável das pessoas. Por conseguinte, vejo-me forçado a optar pelas zonas infantis dos centros comerciais, pois são locais em bom estado, limpas e com crianças que partilham o mesmo objectivo - brincar! Com este desabafo faço um apelo aos cidadãos para o exercício de uma cidadania responsável, activa e interveniente. Não é um problema de falta de legislação, de controlo, da crise financeira, ou qualquer outra justificação/desculpa. Os comportamentos aqui descritos são apenas a constatação de uma ausência de valores, de uma cidadania carente, de um egocentrismo e egoísmo que ganha lugar na nossa sociedade a um ritmo demasiado rápido. Às autoridades, solicito mais espaços infantis na cidade, maior controlo dos espaços existentes, projectos a serem desenvolvidos pelos alunos nas escolas que lhes permita compreender as razões da existência durante dez anos da área curricular não disciplinar de Formação Cívica! Com tantas notícias sobre a situação financeira da Europa, é altura de questionar se também não estamos a passar por uma crise de valores…