Divirto-me ao ver as manobras do laranjal para arranjar novos presidentes de câmara e para excluir candidatos à liderança do partido. Ninguém sabe de onde vêm as notícias, ninguém comenta os tiros que podem sair pela culatra. São só experiências, a ver se o povo se distrai do safanão que leva a partir de amanhã no ato de compra de qualquer coisinha. Nem mesmo um artigo do Tratado de Lisboa, que põe a Comissão Europeia a proteger as regiões ultraperiféricas e a obrigar os estados a diferenciá-las em termos fiscais, põe este governo central do lado do cidadão madeirense. E vamos pagando as extravagâncias de Jardim, o tal que disse que os preços não iam aumentar e que os madeirenses vão cumprir com o plano de resgate, enquanto vai ele "comendo" salário e reforma, vão os partidos vivendo à custa do contribuinte para fazer as vergonhas que têm feito naquela Assembleia que tem um presidente "mouco" para os insultos dos amigos aos adversários políticos e para quem a caça ao coelho está aberta todo o ano. E todos os anos ouvimos as profecias de mudança, de dar crédito aos políticos e à casa da democracia. Como vai isso acontecer com o nível de pais que temos e que se portam assim numa câmara para onde foram eleitos, tal como se portam os espetadores num jogo de bola onde só lançam insultos a árbitros e adversários? E querem que isto mude com quê? Não serão os exames de 4ª classe (4º ano) que obrigarão os alunos preguiçosos e indisciplinados a trabalhar ou a melhorar. Porque durante o ensino obrigatório os professores têm uma quota de negativas que não podem ultrapassar e porque os pais destes alunos com rendimentos abaixo do exigido são os primeiros a querer entrar na escola para "arriar" no docente ou no colega que deu um cheirinho ao filho. "Cheirinho", definição usada por um deputado em plena sessão da Assembleia, para designar o que mereceria o deputado Coelho ou outro qualquer ser eleito que não faça as vontades da maioria. Pois, quando o "cheirinho" e a "porrada" não são sancionados pela 2ª figura da Região, qual o nível de impotência dos conselhos diretivos e professores para com alunos que, como futuro da "nação", são tal e qual o que os pais foram? Será que estes alunos indisciplinados, que mereciam frequentar uma escola com militares a lecionar e toda a liberdade de castigo, amanhã vão estar na Assembleia? E se fossem penalizados nos rendimentos do trabalho ou da segurança social os pais destes meninos? Será que voltavam a fazer das suas ou o paizinho metia-os na ordem? Será que estes pais compreendem que os professores estão interessados em que, qualquer que seja o aluno, o ensino seja eficaz e proveitoso para todos, mesmo que para isso paguem do próprio bolso as chamadas telefónicas para os encarregados de educação ou até algumas refeições desses alunos? As escolas não são armazéns nem depósitos de filhos. Mas hoje, as cargas horárias dos estudantes obrigam a uma longa permanência na escola, aliando isto ao fato de ambos os pais terem de trabalhar para sobreviver, não restam muitas alternativas. O desporto pode ocupar uma parte do dia, mas o valor família não deve ser omisso. E é aí que se moldam muitos comportamentos e se tiram muitas lições de vida. Para evitar marcas que ficam no crescimento dos jovens, para evitar segregações que têm consequências ao nível profissional e social. Não é fácil lidar com gente problemática, mas um sinal positivo é quando são os próprios jovens a pedir aos pais inconvenientes para não acompanharem as suas atividades. Eu só peço aos meus filhos para nunca assistirem a uma sessão no parlamento. Os deputados pais deveriam fazer o mesmo.

Paulo Gomes