Miguel Albuquerque recebeu ontem nos Paços do Concelho do Funchal uma equipa vencedora. Do melhor que há na nossa terra e que tão bem nos tem representado ao longo dos últimos 120 anos. Falamos do ‘Reid´s Palace’, uma verdadeira instituição e um nome que dispensa explicações em Portugal e mesmo em alguns países estrangeiros, onde o prestígio da unidade hoteleira e a arte dos seus profissionais são uma bandeira e uma garantia da excelência que transmitem e constantemente colocam no seu serviço. A Câmara Municipal do Funchal distinguiu centenas de homens e mulheres que fizeram o seu aprendizado numa escola brilhante. Ao longo de décadas aprenderam e ensinaram muitos que hoje continuam a trabalhar no sector e outros que encontraram na ‘academia’ do Reid’s Palace o trampolim que os catapultou para outras paragens, fazendo sempre bem aquilo que aprenderam. Porventura aperfeiçoaram-se e são embaixadores da terra que tem a felicidade de ter um hotel desta envergadura. O foco da homenagem do autarca funchalense foi sobretudo no serviço, no que Miguel Albuquerque muito bem referiu como “uma evidência e uma constância transversais a várias gerações”.E é precisamente este valor que pretendo aqui realçar. A secretária regional do Turismo recordou que antes se falava do Reid’s e dos outros, quando se queria destacar a qualidade superior da nossa hotelaria. Os tempos mudaram e hoje temos outros excelentes hotéis, com níveis de serviço também muito bons. Contudo, nas contas dos empresários apressados ou pouco conscientes desta actividade o factor humano passa ao lado e funciona como número. São os “patos bravos” da hotelaria que também há nesta terra, infelizmente. Para eles um hotel é um edifício que tem uns quantos quartos bonitinhos – ao seu gosto, certamente… – alguns empregados, não interessa a formação, apenas que cumpram determinados objectivos adentro de um determinado orçamento, e está feito um hotel. Depois vendem a qualquer preço, destroem os hotéis que foram construídos com qualidade e saber, obrigando-os a baixar tarifas. Depois não dá para ninguém… Adultera-se o produto e a qualidade do destino. Os resultados estão à vista: quem não tinha infra-estruturas e criou um produto incaracterístico está à beira da falência. E nestas ocasiões de crise é que se verificam as diferenças abismais entre os hoteleiros e os “patos bravos”. Conceição Estudante fez ontem um apelo, que parece-me foi bem entendido e ficou-lhe bem. Pelo momento em que foi dito e pela preocupação que manifestou. Pediu aos que estão prestar a deixar a vida profissional activa que saibam passar o turno, que procurem passar para os novos a identidade e a cultura do Reid’s. A ouvir estavam alguns reformados, homens e mulheres que Ulisses Marreiros também levou na sua equipa maravilha aos Paços do Concelho do Funchal, que certamente certificaram a qualidade do seu trabalho e entenderam que as suas preocupações ou a dúvida de que outros, mais novos, seguiriam o mesmo trilho, se dissipou. O Reid’s Palace tem a equipa que eles merecem e que assegura a continuidade de excelência que ajudaram a promover. A cidade do Funchal tem orgulho em todos vós. Sem o Hotel Reid’s a nossa história seria com certeza diferente e, inevitavelmente, mais pobre”, disse Albuquerque.

Naturalmente que há excelentes profissionais em todos os sectores. Quero aproveitar a oportunidade para lembrar aqui um homem que me marcou. A mim e a muitos jornalistas e profissionais que passaram pelo Diário de Notícias, também um valorosa escola. Duas instituições que andam na estrada há mais de um século, que aprenderam com os mesmos valores. José Santos, um velho companheiro de espírito jovem, morreu esta semana aos 91 anos. Era linotipista (fundia as matrizes dos caracteres gráficos em barras de chumbo) num tempo em que fazer um jornal era uma obra muito complicada. Hoje a tecnologia facilitou todo o processo de produção. Foi dos homens mais dedicados desta casa. Compôs o meu primeiro artigo, escrito à mão em folha de papel, parte da reportagem de um jogo de futebol, tinha eu 17 anos de idade. Lembro-me perfeitamente. Fez ainda algumas emendas, e bem, na prosa do jovem candidato a repórter, antes de passar a prova para a revisão. Pachorrento e dedicado acolheu algumas gerações de jornalistas neste Diário, e fazia das oficinas do jornal o seu pouso, mesmo que estivesse de folga ou depois de aposentado, onde nos visitava regularmente. Viajou, conheceu o mundo por onde se espalha a sua família, e voltou sempre disponível para ensinar a sua arte ou recordar bons tempos entre os mais novos que não precisavam mais dos seus ensinamentos, mas que não dispensavam a sua presença. Bem Haja, Santos! Esgotou-se na tecnologia, mas não no carisma e na identidade que a camisola lhe deu e que a alguns de nós deixou como indelével recordação. Esses velhos que souberam passar o turno recordaremos sempre com muita saudade. Você soube passar o turno…