É infantil e patético, mas também regra entre a maioria dos políticos, presidentes de clubes e toda a classe de ‘dirigentes’, da associação de jogadores de bisca à Presidência da República: quando a notícia não agrada, passa a ser mentira e a culpa é do jornalista. E seguindo a tradição clássica, faz-se tudo para matar o mensageiro. Negar, desmentir e insultar. A regra é essa.

No último fim-de-semana vivemos mais um destes episódios caricatos que, para grande azar desta terra, se repetem. Este jornal noticiou a preferência do líder do PSD para a Câmara do Funchal e, no dia seguinte, a reacção dos que seriam mandados borda fora. A primeira notícia pode ter agradado, mas como a segunda saía das esquadria e deixava a descoberto uma divisão no partido do poder, que já ninguém disfarça, a solução foi... matar o mensageiro.

O ‘preferido’ deixou de o ser - pelo menos por enquanto - e tudo passou a ser invenção de quem noticiou. Patético, mas previsível. Agoira é esperar para ver quando tudo o que era mentira ontem - perdão, anteontem - passa a ser verdade, com cartazes afixados pelas ruas, comícios e jantares de candidatura.Assim como daquela vez em que este jornal anunciava uma demissão, motivada pela famosa lei das finanças regionais e como forma de prolongar no tempo o cumprimento de um programa de obras. Era mentira em Novembro de 2006, mas passou a verdade, com direito a transmissão em director, na televisão, dois meses mais tarde. Então, os mensageiros também deveriam ser degolados em praça pública.

Desta vez, a ameaça, em forma de anedota, é arranjar independentes para despedir os jornalistas do DIÁRIO. Antes, ia expropriar e fazer uma limpeza. Há muito que não há paciência.