Na última semana Santana, no seu pleno exercício enquanto Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO, acolheu uma reunião da REDBIOS, uma das redes temáticas da rede mundial de reservas da Biosfera. Representantes de outras Reservas da Biosfera, de Comissões Nacionais da UNESCO, de Comités Nacionais do programa o Homem e a Biosfera, de Governos nacionais e regionais e da própria UNESCO, estiveram reunidos em Santana, tal como acontece um pouco por todo o Mundo, naqueles lugares especiais, reconhecidos como Reservas da Biosfera da UNESCO. De forma activa e capaz, Santana, representou a Madeira e o País num fórum que projectou o futuro desta Rede de Reservas da Biosfera, identificando formas e iniciativas de encarar os desafios do desenvolvimento sustentável, das regiões e países a que pertencem estas reservas. De que se falou e de que se fala nas reservas da Biosfera? Trata-se, sobretudo de procurar modelos e práticas orientados para a valorização dos activos que distinguem estes luares especiais, e que são, afinal coisas tão simples como o homem e a natureza. Na convicção de que a sustentabilidade assenta no conhecimento e conservação dos recursos naturais mas, também na sua utilização sustentável, inteligente e orientada para o respeito da cultura, tradição e autenticidade destes lugares. Trata-se da procura da valorização do que se é em cada lugar e, sem complexos, partilhar o que se é, em rede, com conhecimento e com consciência dos problemas, das limitações mas, também com convicção e sentido positivo perante as dificuldades, e com a solidariedade de, em rede aprender a ultrapassar os obstáculos. Santana, Biosfera, é mais uma contribuição positiva para a afirmação da Madeira e de Portugal, pela sua originalidade, num mundo global que tende para a normalização. E nesse exercício, as pessoas, como primeira motivação dos processos que são afinal as Reservas da Biosfera, são também os seus principais actores e destinatários. Os Santanenses, que fizeram a sua Reserva da Biosfera, estão de parabéns, pela sua capacidade, pela sua vontade e, sobretudo por terem querido que esta reserva da biosfera seja da Madeira, de Portugal, pela vida e pelo futuro. O que deixaram as diferentes reservas da biosfera que acabam de visitar Santana e a Madeira resume-se em três aspectos muito simples. Em primeiro lugar o espanto pela capacidade e iniciativa já demonstrada por esta jovem reserva. Em segundo, um vastíssimo leque de informações e iniciativas que podem ser acolhidas e utilizadas por Santana e pela Madeira na resolução de problemas e na potenciação de oportunidades. E, ainda mais importante, a afirmação de uma Região, num quadro de dimensão global como é o Programa o Homem e a Biosfera da UNESCO. Saibam todos os madeirenses entender o alcance deste sucesso e trabalhar em conjunto para fazer dele um contributo para que a nossa terra seja melhor e de mais oportunidades para a actual e futuras gerações de madeirenses.

António Domingos Abreu