Não era necessária uma confissão em voz alta: "era isso ou a bancarrota". Pois, todos sabiam, desde há muitos anos, que o fim do processo megalómano só traria tragédia. O Diário das Sessões da Assembleia está cheio de páginas de alertas, de intervenções a demonstrar a confusão entre o crescimento e o desenvolvimento, a secundarização dos instrumentos de planeamento, a existência de contas escondidas, o sentido inauguracionista com objetivos eleitoralistas, enfim, quem as folhear, ficará chocado entre os sustentáveis alertas e a situação a que o "pecador" conduziu a Região. Seguiu aquela peregrina ideia que a "História não fala de dívidas, mas de obras", o que significa o desejo de nela querer figurar, embora outros tenham de pagar, com suor e muitas lágrimas, as atitudes de tão tresloucada cabeça política. Como se o dinheiro não fosse um recurso escasso ou, então, estivéssemos, ainda, no tempo dos reis, das expedições ao ouro das índias. Todos os que tocaram na ferida que sangra foram espezinhados e triturados na praça pública, pela força de uma maioria que impôs sempre a razão da força sobre a força da razão. O que é espantosa é a confissão de bancarrota não ter consequências nem políticas nem criminais. É assumida como coisa normal, como se espatifar dinheiro público não fosse diferente do que dar cabo de uma fortuna pessoal. Ora, qualquer cidadão estaria em maus lençóis se se comportasse na vida de uma forma tão leviana. A imprudência leva-o a admitir que "faria tudo o que fiz nos últimos 30 anos" (…) pois se assim não fizesse "a Madeira ainda seria um atraso". Atraso? Atraso não será aquele que reflete 22.000 desempregados, pobreza arrepiante, gerações hipotecadas, empresas em agonia, saúde e educação de rastos e falência da Autonomia? O atraso está aqui, porque o desenvolvimento não se mede, apenas, pelo número de toneladas de cimento consumidas ou pelos quilómetros de vias construídas. E agora, pretende mexer nas "moscas" para que a loucura continue. Cuidado, porque a cartilha é sempre a mesma.
André Escórcio, Professor