Uma vez mais, existem razões para o Porto Santo ser tema deste meu artigo, por entender, acima de tudo, que não basta alertar para o que está mal, sem pelo menos indiciar pistas que possam contribuir para alterar o que deve ser alterado. No meu último artigo integrado em "Madeira vista de fora", lembrando que os tempos vão difíceis e o Porto Santo não é excepção, perante essa mesma realidade, tornei a apelar para que seja feita uma análise ponderada no sentido de serem encontrados os meios que permitam superar as enormes dificuldades que são do conhecimento geral e que não têm só que ver com questões de sazonalidade. Não foi, certamente, por acaso que, há uns dias foi notícia no Diário, o lançamento do livro que se reporta ao trabalho de investigação de dois cientistas, professores da Universidade de Aveiro, sobre as potencialidades do Porto Santo, como estância de Saúde Natural, que logo me trouxe à mente um meu artigo publicado neste mesmo espaço, em 3 de Setembro de 2010. Ao evocar uma entrevista concedida ao Diário, pelo então Secretário de Estado de Turismo, recordei declarações que eu, anteriormente, fizera a propósito do Porto Santo, destino de golfe e destino de sol e praia, mais concretamente acrescentando que "falar da praia é também falar das suas areias, cujas características e qualidades terapêuticas estarão ainda por explorar" ideia que rematei, escrevendo que "complementarmente e de não desprezar, outros atributos existem, todos eles tendo um peso relativo, de que importa tirar partido, como a vela, o hipismo, o ténis e, naturalmente, o golfe, sem que possa pensar-se que, qualquer desses atributos, isoladamente, possa fazer de Porto Santo um destino". Naquela ordem de ideias e na perspectiva do Porto Santo e do seu futuro, em artigo publicado em 19 de Setembro de 2002, já então alertava os poderes públicos, num apelo à imaginação, sem perda do sentido das realidades, para que todo o processo "antes que seja tarde, seja ponderado à luz das potencialidades dos mercados e dos custos de utilização". Ora, o livro "Ilha do Porto Santo: Estância de Saúde Natural", poderá desde já ser considerado, mais do que uma 'ferramenta', uma 'pedrada no charco', de primordial importância, para que aos diferentes níveis da governação, sem deixar influenciar-se por lobbies, habilidades e interesses vários, mais bem se cuide do interesse comum. Por outras palavras e para rematar, muito resumidamente, está em causa a legítima promoção e o desenvolvimento que o Porto Santo merece - pelo que e para que tenho alertado - e que não pode mais adiar-se, havendo tão só que fazer acontecer. O Porto Santo merece isso e muito mais. * por decisão do autor , este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico

Francisco Leite Monteiro