Quem é o desportista? Para alguns um ídolo para outros, um modelo, mas quem será este ser, que é alvo de um constante processo de "agressões" que o leva a transformar-se dia após dia no sentido de atingir o conhecimento dos seus limites? Por outro lado, será que o treinador interroga-se sobre qual o Homem que quer conceber? E de que forma o orienta e o agride para atingir essa meta? Neste contexto, é fundamental e prioritário compreender que o fenómeno desportivo não forma apenas campeões olímpicos, do mundo, da europa, mas sim Homens com capacidades e potencialidades para responder e ultrapassar desafios. Dentro dos comportamentos que cada atividade desportiva possa solicitar, cada situação específica possa levantar é necessário perceber que cada uma dessas experiências está a contemplar todo um percurso individual e formativo do desportista. As situações críticas que este vive são muito suas e difíceis de compreender, pois o som das costas a bater num tapete não é igual ao som dos adeptos da equipa adversária a festejarem um golo. A diferença entre estar pendurado por um cabo e bater uma bola para o outro lado da rede demonstra bem o impacto e a particularidade de transformação que a primeira situação apresenta no desenvolvimento do indivíduo, em que o objeto de jogo é o próprio desportista, e onde está posto em causa toda a sua estrutura biológica. É nesta capacidade de exploração tremenda que a atividade desportiva apresenta um papel fundamental no desenvolvimento mediático do Homem, ou seja, é no conhecimento dos seus limites que este ganha competências de autonomia, de iniciativa, criatividade e facilidade em responder a situações e obstáculos de grande diversidade. Neste sentido, cabe não só aos treinadores, mas também aos professores e restantes responsáveis pela atividade desportiva potenciar ao máximo aquilo que o desporto pode oferecer na formação da nossa sociedade e do nosso semelhante.

Derek Freitas, Colaborador da AA UMa