Leitor devidamente identificado No passado dia 20, fui surpreendido pela notícia que, o SPM em Assembleia, decidira não aderir à greve geral e nacional do dia 22. A decisão de não adesão à greve nacional, já tinha sido anteriormente produzida e manifestada publicamente pela direcção, servindo a Assembleia Geral apenas para validar a decisão tomada pelo executivo do sindicato. Os participantes na referida Assembleia Geral foram maioritariamente os mesmos que, instantes antes, participaram no lançamento da lista A (a de continuidade da actual direcção). Nas palavras do SPM a decisão foi tomada por esmagadora maioria. Com certeza referem -se à esmagadora maioria dos apoiantes da lista A. Gostaríamos de saber exactamente que maioria é essa que veiculou o SPM, de saber ao certo quantas pessoas participaram na votação. Naturalmente a direcção do SPM não se refere à maioria dos 3000 sócios do sindicato. As expressões do tipo "esmagadora maioria", são técnicas utilizadas desonestamente na pior forma de comunicação persuasiva. Quando consideramos pouco convincentes os nossos argumentos, juntamos adjectivos do tipo "esmagadora" ou outros de forma a reforçar o que é fraco, de forma a melhor convencer os menos atentos, no caso, que a não adesão à greve, foi decidida por imensa gente. A adesão à greve geral pelo SPM não obrigaria nenhum professor a fazer greve, como sempre aconteceu, no entanto seria uma importante tomada de posição da organização que nos representa, uma manifestação do mal-estar em que os professores vivem e um protesto contra todas as violências a que temos sido sujeitos enquanto cidadãos e enquanto professores. Considera a direcção do SPM que não existem razões suficientemente fortes para os professores fazerem greve. Que não vale a pena fazer nada, devido ao fim de período ou à perda de um dia de salário. Feitas as contas, apenas nos cortes dos Subsídios de férias e Natal, perdemos, grosso modo, 32 dias de salário por ano. Penso no entanto que a não adesão à greve, será apenas mais um frete, na linha da subserviência e da cumplicidade da actual direcção face ao governo. Pela primeira vez em 35 anos o SPM não adere a uma greve geral. A FNE também não aderiu à greve. Curiosa esta convergência do SPM, com quem já chegou a acordo com o governo à custa dos professores. O SPM já foi o sindicato mais respeitado da Região. Hoje, como recentemente foi referido por um articulista, "está contaminado e capturado pelo poder". Esta recusa, demonstra a forma de estar no sindicalismo dos actuais e candidatos à futura direcção pela Lista A e que é, em suma, comer, comer e calar, porque o que importa é que as mesmas pessoas se mantenham nos cargos e fiquem dispensados de dar aulas. É profundamente hipócrita, oportunista e cobarde a indicação dada pela direcção do SPM de que quem quisesse, podia fazer greve a coberto do pré-aviso entregue pela FENPROF.