Maria Carvalho Nem queria acreditar! Quando li no Diário as muitas iniciativas em toda a ilha de homenagem ao Dia do Pai, reparei na igreja matriz de Machico e na homilia do cónego. Falou contra "os pais que matam os filhos", bradou contra o aborto, criticou o governo por não dar dinheiro para aumentar a fertilidade e insurgiu-se contra a população de Machico, certamente alguns dos presentes, por ter votado "sim" no referendo. Além da inoportunidade do assunto para o dia (não são os homens que abortam, são as mulheres), o mais absurdo foi a prenda que o cónego no fim da missa deu aos homens: um frasquinho de água benta. Mas a que propósito? O que é que tem a ver água benta com aborto? Ou com disfunção ou com infertilidade? Se não fosse tão grave o assunto, até dava para troçar, substituindo o popular reclame "Queres dinheiro vai ao Totta" por outro "Queres um filho vai ao frasquinho… de água benta". Para um cristão, acho isto insuportável, desprezível. Não falou no planeamento familiar, nas condições financeiras dos casais, no desemprego, no que custa hoje em dia criar e educar um filho, essas sim as grandes causadoras de haver "mais caixões que berços". Também me dava gozo dizer que se a Igreja quer mais crianças, os padres que se casem. Mas isto é sério de mais. Eis como se catequiza a cristandade de Machico: religião à base de crendices, água benta e círios de promessa. E dinheiro pelo meio. É por essas e por outras que, quando as benzeduras não resultam, as pessoas vão ao bruxedo. Péssima educação. Para onde vamos?