É conhecida a “simpatia” que os governos têm pelos emigrantes. Assim como é conhecida a “simpatia” que os emigrantes têm pelos governos dos seus países. Resultam, ao fim e ao cabo, de uma crónica relação de amor e ódio, mas que, de uma maneira geral termina numa bela história em que a revolta e a vingança, de uma forma geral, se transformam em inolvidáveis relatos de afectos, uma explosão de emoções que, normalmente, fecham ciclos e marcam regressos, apaziguamentos que a saudade constrói e provoca. Vivendo numa terra muito marcada pela emigração cresci a ouvir histórias de aventuras e de desencontros, filmes de desventuras e regressos. Mesmo em família os casos sucederam-se e num tempo em que as cartas tardavam e os emails eram peças de um imaginário ainda impossível, vi-os embarcar com esperança e regressar com sucesso. A emigração que hoje volta a mover os jovens da minha terra, novamente por questões económicas e de sobrevivência, é uma situação que temos de encarar com realismo e com algum positivismo. Não aceito a resposta fácil dos governantes que sugerem aos jovens a emigração e os condenam a apátridas. Mas aceito que dessa situação de recurso Portugal e os Portugueses possam tirar algum benefício, ao mesmo tempo que se valorizam carreiras e pessoas, lançando-as como iguais em meios de maior craveira tecnológica e científica, em meios sociais porventura mais equilibrados e de progressão mais rápida nos seus currículos profissionais. A globalização que marca o século XXI leva-nos a olhar para o mundo com outra atitude e outra forma de pensar. Somos cidadãos do mundo e esta situação, porque muitos pelejam e outros não entendem, é motivadora e incita-nos a procurar noutras paragens o que não encontramos em casa. Isso não significa que se abandone a Pátria ou se renegue à nacionalidade. Contudo há passos que o País deve dar para que os cidadãos sintam que os filhos que partem continuam a ser desejados e que a porta continua aberta. A importância dos emigrantes no contexto actual do nosso País é um facto indesmentível. Importantes pela mais vil das razões: porque podem trazer as divisas que tanto Portugal necessita neste momento. Porque podem trazer investimento, porque podem produzir riqueza e porque podem criar emprego. Ainda mais: numa situação de crise podem aproveitar oportunidades, sobretudo no sector imobiliário, movimentando negócios e colocando na economia regional o dinheiro que tanta falta faz. O alerta tem novamente por objectivo lembrar a importância que os emigrantes têm no actual contexto político-social da nossa terra, pela possibilidade que a crise económico-financeira lhes escancara de reentrar, de investir e de reconquistar a terra que antes não lhes dava garantia de sucesso. Em anteriores períodos de crise registámos diversos regressos com êxito. Os ciclos repetem-se e se é verdade que as primeiras gerações acabam com o passar dos anos, o certo é que os filhos desses nossos compatriotas poderão ser os novos investidores. Mesmo que venham em turismo devemos ter alguma coisa para lhes mostrar além da romagem de saudade e da simples escala para uma viagem de férias. Não tenho a certeza se estamos aptos a fornecer todas as indicações que precisam ou se criámos condições para que sintam nesta terra o pulsar e a dinâmica que os negócios necessitam para se desenvolver, com instituições preparadas para a identificação das áreas em que podem entrar ou para as oportunidades existentes. Alguém ou algum organismo, nos governos da República ou Regionais, está apto a responder cabalmente à questão sem obrigar o emigrante a múltiplas deslocações e entrevistas na busca de uma via esclarecedora e concreta? O sistema, por ser complicado e fechado, desmotiva. Em Caracas e em Joanesburgo, por exemplo, as agências de viagens, as delegações da TAP e as embaixadas não têm um prospecto da Madeira que possam entregar a um potencial visitante. Quer seja sobre turismo, quer seja sobre as oportunidades de negócio na Região Autónoma. Mas será preciso, neste tempo de redes sociais virtuais uma acção desse tipo quando a internet responde a quase tudo?! Que acham?... Não será que estamos a desprezar uma das partes que podem conduzir à solução dos problemas que afectam esta Pátria que também é desses cidadãos e na qual também gostariam de se sentir parte?