Conheço o José Manuel Rodrigues há anos. Uma ou outra vez em convívio privado. Ele sabe que a minha preferência, na hora do" voto na urna", nunca foi no seu partido e desde 1973 (última fraude eleitoral do antigo regime) que o faço. No entanto, quero expressar o meu apreço e apoio pela coragem e coerência de princípios defendidos, em desobedecer ás oligarquias partidárias, a que chamam disciplina de voto, postura que, ainda hoje, não entendo numa democracia. Afina sou ou não livre de votar em consciência seja deputado ou não? Sei que na luta partidária vale tudo e outros já desvalorizaram este acto de coragem, inventando ou não, contradições anteriores. Mas o que interessa é o acto, com prejuízos financeiros pessoais, quando outros em momentos idênticos, sofriam de desarranjos intestinais. Perdeu dinheiro? Mas não perdeu a razão nem vendeu a consciência. Muitos madeirenses , eu incluído, não esquecerão. A obediência é uma arma inventada por ditadores interesseiros. Prefiro antes a lealdade. Foi este o pilar na educação dos meus filhos. Obediência não, lealdade sim. Não estou arrependido. Tenho os filhos mais leais do mundo. Nesta semana do "Pai" aproveito para dizer à Lara e ao João que os Amo muito. O futebol/arbitragem não foge á regra. Por um qualquer cargo fictício para alimento de egos parolos vende-se a consciência, a verdade é inconstante e conforme o interlocutor e vale tudo para agradar. Em bom madeirense, o importante é manter a chave em seu poder, mesmo que seja da retrete. Exemplos são muitos. Em Portugal normalmente a paixão pelos clubes está muito acima do gosto pelo futebol. Depois queixam-se das intolerância nos estádios e, pasme-se, vias de facto entre "amigos" e "familiares" quando assistem jogos pela TV . Debates semanais deploráveis nos diversos canais de informação, defendendo o indefensável por indivíduos, profissionalmente respeitáveis mas de uma intolerância atroz e incompreensível. O que interessa é a minha emoção clubista louvada. A razão? A verdade? As leis do jogo? È secundário. Que diria o leitor se me visse na TV a debater transplantes de fígado, planos directores municipais ou pareceres jurídicos sobre directivas constitucionais? Claro que não me verão. Só falo do que sei. Tenho um pingo de vergonha na cara. A educação desportiva também é serviço público, pois todos sofremos as consequências.

Francisco Costa, Técnico de arbitragem