Miguel Monteiro Muito se tem falado da falta de competitividade das equipas de iniciados e juvenis que disputam as fases intermédias dos Campeonatos Nacionais de Futebol, dizendo que o problema deriva do campo de recrutamento da Madeira (250.000 habitantes). A minha opinião não é esta, o problema é a forma como estão organizados os Campeonatos Regionais da Madeira de Infantis (Sub 12 e Sub 13) senão vejamos: 1. A Madeira é dos poucos locais em Portugal, onde não existem campeonatos regulares de Futebol de 7 para Sub-10 (Traquinas) e Sub-11 (Benjamins). Temos centenas de miúdos com estas idades, temos os campos disponíveis essencialmente aos domingos de manhã e o apoio das famílias é inequívoco. Mesmo nos dias das "trapalhanças" - ficam centenas de miúdos que gostam de jogar futebol em casa ou a passear nos centros comerciais, porque numa manhã não dá para reunir mais do que 200 miúdos (20 equipas) com 8, 9, 10 e 11 anos; 2. Não existe na Madeira um Campeonato de Infantis de Futebol de 7 devidamente organizado. As regras são confusas e complicadas, onde é possível que equipas que pertencem ao mesmo grupo não se defrontem, e onde vencedores não são apurados para as fases seguintes, nem os miúdos entendem as regras. Mas, mais grave, esta competição terminou em Fevereiro e os miúdos das equipas B, C, D de cada clube não jogam mais até ao final do ano, ou seja, terminaram a época ainda no Inverno e não jogam na Primavera. São mais de 300 miúdos de onde saem os futuros jogadores de iniciados e juvenis da Madeira. É por esta razão que existe falta de competitividade dos nossos Campeonatos e dos nossos atletas. Bastava que se organizasse um verdadeiro campeonato de Benjamins (Fut 7) e Infantis (Fut 7 e Fut 11), todos contra todos e organizados em séries, com todas as equipas, A (Fut 11) ,B, C, D (Fut 7) etc.. e tudo seria diferente. Existia competição durante todo o ano e os miúdos jogavam regularmente e com jogos competitivos, até porque, miúdos de 11 e 12 anos iriam jogar contra miúdos de 13 anos e isso provoca a evolução dos atletas mais novos. Como isto está organizado, existe uma enorme desmotivação de centenas de jovens jogadores que acabam por abandonar o futebol, reduzindo, aqui sim, o campo de recrutamento. E é preciso ver que os futuros atletas de iniciados, juvenis e juniores da Madeira estão entre estes atletas que estão neste momento parados e sem qualquer competição. São mais de 200 atletas Sub-11, Sub-12 e Sub-13, ao contrário do que se passa na maior parte dos distritos de Portugal continental - ver 'site' ZEROZERO. Assim, não é possível esperar melhores resultados das equipas do Marítimo e do Nacional nas fases intermédias dos Campeonatos Nacionais de Iniciados e a culpa não é dos jogadores é da falta de experiência e de competitividade resultante desta desorganização. Só aos 15 anos é que aprendem a competir verdadeiramente, entre os 11 e os 14 anos na Madeira a competição é praticamente inexistente e a evolução dos jogadores é posta em causa. Espero que um dia seja possível mudar alguma coisa no futebol jovem da Madeira.