O Prof. Pedro Portugal, no seu artigo "Mitos e factos sobre o mercado de trabalho português: a trágica fortuna dos licenciados" (Banco de Portugal / Boletim económico / Março 2004) afirma que "o investimento numa licenciatura garante, em média, uma taxa de rentabilidade real de 15 por cento - uma rentabilidade definitivamente excepcional" e "o valor acumulado (entre os 24 e os 60 anos) dos prémios salariais (diferencial de salários) dos licenciados corresponde a cerca de 330 300 euros" diferença medida em relação aos detentores do 12º ano. Isto significa que cada licenciado que deixa o país representa a saída de um indivíduo detentor do 12º ano carregando uma mala em que leva mais de 300.000 euros. Só que como essa mala não se vê, as autoridades não se preocupam com a fuga de licenciados… gostava de ver se também ficavam de braços cruzados se alguns portugueses estivessem a passar a fronteira com malas cheias de dinheiro! Por isso é tão importante estancar rapidamente a saída de licenciados, mas para o fazer num estado de direito democrático há que lhes dar condições para permanecerem no país. Como o fazer? Temos de ser inovadores ou olharmos para o que outros países já fizeram em relação ao emprego dos jovens e aprendermos com eles. Aqui ficam algumas sugestões: Criação de programas em que os jovens são empregues por entidades do terceiro sector; ou serem mais inovadores e criarem um regime novo para a Segurança Social dos mais jovens em que as contribuições são baseadas no salário mínimo e independentes do salário real auferido, sendo depois as reformas deles baseadas também no salário mínimo. Dir-me-ão que o problema é que se os mais novos contribuírem menos então não há para pagar aos reformados, só que a viver no estrangeiro não contribuem nada e o "bolo" português que há para distribuir por todos vai ficando cada vez menor.
Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrática da UMa