Ricardo Santos No âmbito da Consulta Pública do Estudo de Impacte Ambiental do Projeto do "Novo Cais de Cruzeiros na frente de Proteção Marítima do Depósito de Inertes Criado a Nascente do Cais da Cidade do Porto do Funchal" deixarei aqui a minha opinião. A mesma que foi deixada ás entidades competentes, sabendo de antemão que nunca terá consequências. Sendo a minha maior preocupação o impacto paisagístico que este projeto terá na cidade, gostaria de dizer que acho todo o projeto excessivamente grande para a frente mar do Funchal. Só a plataforma atinge quase o final do antigo cais , pelo que irá acrescentar pelo menos o dobro da largura da avenida marginal, o que acho exagerado. Mas se tivermos em conta que parte do espaço terá utilidade para embarcações de recreio, e também alguns espaços verdes, ainda consigo concebe-lo. No entanto acharia muito mais sensato uma solução do tipo da que foi esboçada pelo arquiteto Luís Vilhena algum tempo atrás: mais barata e que mais se coaduna com a dimensão cidade. Mas o que me preocupa enormemente é o cais de acostagem. Não é tanto a presença provisoria de um paquete perto da avenida, a que tanto cinge-se o estudo, mas o próprio permanente cais a ser construído que irá desvirtuar por completo a baia… e permanentemente! Para sempre ! Acho um pouco ridículo que se afirme no estudo paisagístico que o projeto não terá impacto pois foi pensado para ir descendo de cota em direção ao mar. Como ?? Se a própria Avenida do Mar estará a não mais de 3 metros acima do nível do mar, como poderá um cais de acostagem de transatlânticos estar mais abaixo ?? Mais uma vez, como em quase tudo feito nos últimos anos, será dada primazia ao cimento. Até as supostas praias a construir mais a leste, têm de conter vastas áreas de betão ! Acho um grande erro. Se a curto prazo parece uma boa solução turística, a longo prazo, pelo contrario será negativo, pois o sucesso turístico da Madeira depende da diferenciação ou mesmo exclusividade do destino, o que cada vez menos demonstramos ter, e por isso acho que ainda pagaremos mais caro no futuro, turisticamente falando. Daí o meu medo em colocarem um bloco de cimento - permanente! No meio da baia. Existem outras soluções mais baratas, e menos megalómanas que serviriam bem melhor a cidade, e vivem pessoas na Madeira, muito competentes e com opiniões muito válidas a que podíamos utilizar, pelo menos um parecer: Oiçam por exemplo o Arquiteto Paulo David: Pensem bem ! Quanto à capacidade do porto do Funchal, penso que podemos aguardar mais alguns anos e: ou optar por um prolongamento da atual "pontinha" ou numa alternativa menos impactante, (embora muito mais difícil e cara), construir um cais paralelo á "pontinha" e para o lado sul -mais longe fora da baia…