Os madeirenses depositaram muitas esperanças nos 47 deputados que elegeram em Outubro passado. Tantas que a esta hora, depois de a obediente maioria aprovar o Orçamento e o Plano para 2012, só podem estar desiludidos. Os documentos promovem caprichos a prioridades e desleixos a opções estratégicas. Pior, matam a moribunda Autonomia e consagram o massacre fiscal que vai comprometer a economia e a esperança, a qualidade de vida e os equilíbrios sociais. Por isso, quem já se apercebeu da tormenta que aí vem, quem não ganha 6.900 euros líquidos no final de cada mês e quem nem herdou fortunas, deve estar a perguntar se os eleitos têm a noção, por muito vaga que seja, dos problemas reais que afectam milhares de cidadãos, reféns de políticas desastrosas, sempre tratados com desprezo, como se não passassem de uma mísera 'gota de água' num oceano de calotes oficiais, de incumprimentos vergonhosos e de dívidas escondidas. A onerosa classe política regional manifestou uma vez mais uma insensibilidade atroz. Deixou que fosse aprovado sem qualquer alteração substancial o manual de instruções de um 'resgate' acertado entre governos PSD, plano criado para disciplinar abusos administrativos insulares e a balda institucionalizada da 'Madeira em marcha'. Não se comoveu com os dramas que atentam contra a dignidade humana, não atendeu aos apelos públicos ao bom senso, nem fez por merecer os intocáveis cinco milhões de euros de um absurdo 'jackpot', que bem podia ser empregue em medidas de combate ao desemprego, em vez de saldarem empréstimos à banca, contraídos nos tempos de fartura, em nome da caça ao voto e da máquina viral. Senhores deputados, não honraram o vosso Estatuto e não apresentaram o trabalho que deviam ter feito. Andaram nas redes sociais em vez de se preocuparem com a rede escolar, onde cresce a indisciplina, a desresponsabilização e as carências diversas. Ou com a rede de saúde, sem remédios, vacinas e critérios. Preferiram informar-se sobre as cidades do Euro de futebol ou os melhores destinos de férias de Verão em vez de resolverem a vida daqueles que já não sabem o que é descanso. Leram panfletos em vez do PIDDAR, jogaram na sorte em vez de arriscar tirar muitos do azar e insistiram nos números de circo, subestimando um eleitorado carente de soluções. Perderam-se em insultos. E votaram sem escrúpulos, quando até podiam ser indisciplinados. Melhor era possível. Bastava-vos ter os olhos abertos. Artur Fernandes, Comandante Bombeiros Ligar para o 112, medida que para muitos deve ser a primeira a ser tomada em situação de emergência, não é verdade absoluta. Mesmo que a tutela não goste, o melhor é ligar aos bombeiros. Quem anda no terreno sabe bem que há demoras que são fatais. Luísa Soares, Psicóloga A UMa ajuda alunos na descoberta dos próprios talentos, uma missão que exige cada vez mais dedicação. A procura resulta das incertezas crescentes neste tempo de crise. Graças ao Serviço de Consulta Psicológica novas luzes podem iluminar as carreiras. D. Teodoro Faria, Bispo Emérito Continua a ler com sagacidade os sinais dos tempos e a mostrar-se preocupado com os dramas que alguns relativizam. Da entrevista ao DIÁRIO sobra a certeza de que os grandes problemas da Região não se resolvem com sorrisos, nem com citações bíblicas. Arlindo Gomes, Presidente de Câmara de Lobos Defendeu a boa imagem do seu concelho, ao não permitir que as estruturas que serviram para o folclore eleitoral continuassem na via pública. Há autarcas assim, sem medo, que ainda vão disfarçando a calamidade em que se encontra a política regional afecta ao PSD. Rui Rebelo, Presidente da Electricidade Tem cumprido as metas definidas no capítulo das renováveis. Tudo porque desenvolve um projecto devidamente planeado e com impacto quer no ambiente, quer na economia. O resto passa pelos cidadãos, ainda pouco dados ao consumo nas horas de vazio.
Muito trabalho ficou por fazer
Abençoada indisciplina que gera demissões irreversíveis, embora não faça escola