Fiz o périplo habitual pelas ruas da ilha. E escutei atentamente. Ouvi gente de diferentes profissões, idades e vivências, amostra representativa de um povo que se sente abandonado e desprotegido. Ouvi falar do temível mês de Abril que entra sempre num dia de petas e que este ano traz novas que mais valia serem mesmo mentira, porque a verdade é demasiado cruel de se entender quanto mais de se suportar. Ouvi dúvidas sobre se num orçamento como este há dinheiro para um novo liceu, onde se acabe de vez com o amianto, e se ainda sobra para o mais que prometido quartel de bombeiros. Ouvi repetidamente óbvias constatações e lamentos: do desemprego galopante que já atinge meio milhar de pessoas tantas vezes referidas como meros números; de salários em atraso e de cortes; da previsível subida dos preços já proibitivos das passagens aéreas e da sobretaxa de combustível cobrada no barco; da venda imposta da gasolina 98; do regresso à agricultura e da falta do mercado; de monopólios; de problemas na distribuição alimentar; de negócios de época alta que cilindram quem aguenta o ano inteiro. Ouvi falar e nada era novo. Os problemas persistem e agudizam-se! E muito por isso, não devemos cansar nem desistir de os apontar. Seguem então todas estas questões para quem as pode responder, para quem governa. O povo quer saber! E está farto de discursos em que o nome do Porto Santo serve apenas para os encher e fazer crer que, quem os profere, se importa realmente com as 5 mil almas que aqui vivem!

Renata Sousa, Vereadora PS na CMPS