As soluções para resolver a dívida monstruosa escondida durante anos a fio, aos madeirenses por quem nos governou e governa, são as do costume: aumentar, brutalmente, os impostos sobre bens e serviços essenciais, eliminar ou reduzir prestações e apoios sociais, cortar na Saúde e na Educação, privatizar tudo o que dá lucro ao sector público, aumentar o sentimento de insegurança nos cidadãos, investir no discurso da inevitabilidade das medidas de austeridade e sobretudo, continuar sempre a culpar os outros. Nem é necessário invocar aqui a argumentação tola e imoral da maioria PSD e do governo regional para justificar a votação escandalosa das medidas que vão tornar cada vez mais insuportável, a vida de milhares de madeirenses. A esta "história de terror" acrescentam-se as votações de ontem na Assembleia da República pela maioria PSD/CDS de outras tantas que liquidam de vez o justo princípio da lei de que a Madeira constitui uma região com desvantagens advindas da condição ultraperiférica. Que fazer? Deixarmo-nos "embalar" pelo medo? Convencermo-nos de que agora, mais do que nunca, é cada um por si? Isso é a base de sustentação das ditaduras, do terrorismo e da regressão social. Podemos contrariar este rumo provando que sem nós, os que lucram com estas medidas (exactamente os mesmos que provocaram a crise) ficarão de mãos vazias. Para os que vivem do seu trabalho, há duas formas de protesto fundamentais: a manifestação e a greve. A primeira reúne a uma só voz o descontentamento de quem sai à rua e a segunda prova que se nos recusarmos a trabalhar, o mundo pára, que o nosso trabalho é que é, realmente, o motor da economia e que, por isso, o verdadeiro poder está nas nossas mãos. No próximo dia 22 é dia de mostrarmos o nosso poder. O dinheiro de um dia de greve custa mas está a custar e custará muito mais, o roubo de que já somos vítimas.
Isabel Cardoso, Professora