Quem um dia ler a História de Portugal, ficará a saber que no século XXI, tivemos um Presidente da República que acreditava em fantasmas! O Sr. Presidente, nas suas "memórias futuras" que recentemente escreveu, fala de alguém que atormenta a sua existência e que em noites escuras, vagueia pelos corredores assombrados do Palácio de Belém. Ninguém o vê, mas o Sr. Presidente ouve os seus passos, sente o seu cheiro, pressente a sua sombra reflectida nos vidros da marquise de alumínio que tão a gosto da família, substituiu a varanda senhorial do palácio. O Professor Marcelo, especialistas em muita coisa e também em ciências ocultas não exclui, mas também não confirma, que essa presença invisível no Palácio de Belém, possa ser o fantasma de um primeiro-ministro, cuja alma penada penitencia o pecado capital de deslealdade política. Estranho pecado, como se na política de hoje, a deslealdade fosse um pecado mortal e não uma virtude sagrada! E o fantasma desleal não deixa trabalhar o Sr. Presidente! Armadilha o seu computador pessoal para espiar os e-mails, remexe nas pastas onde estão guardadas velhas acções do BPN e até vai à cozinha do Palácio, comer o Bolo-rei que o Sr. Presidente tanto gosta. O fantasma desleal rouba-lhe o sono, pois no silêncio da noite, dá gargalhadas estridentes em francês, sempre que o Sr. Presidente sonha com aquelas vaquinhas dos Açores, todas contentes e sorridentes. O País está em profunda crise e necessita, para quem ainda acredita na "bondade" desta República, que o seu Presidente trabalhe e faça qualquer coisa de útil. Não deve desbaratar a sua energia intelectual já um pouco gasta, numa luta frenética contra almas penadas. Por isso o País pede ao fantasma desleal, que uma noite destas, deixe de atormentar o Sr. Presidente e vá dar uma volta até ao Freeport. Talvez o Sr. Presidente, no aconchego da sua marquise de alumínio, consiga por momentos esquecer velhos rancores, dissimular pequenos ódios, vencer medos escondidos e recuperar a coragem de quem como ele, um dia trepou destemido e valente aos coqueiros. Talvez então o Sr. Presidente ouça os passos de milhares de jovens sem emprego e a caminho de coisa nenhuma. Sinta o cheiro de muitos velhos, abandonados à sua solidão e sem qualquer esperança ou dignidade. Toque o sofrimento de muitos doentes que uma política de cortes sucessivos no SNS, lhes dificulta o acesso aos cuidados de saúde e os priva dos medicamentos necessários. Fique incomodado com a imoralidade revoltante que rouba o subsídio de férias mas esquece o acumular pornográfico de reformas escandalosas. Se indigne por haver "direitos adquiridos" intocáveis para uns, enquanto para outros, todos os direitos podem ser violados só porque a troika ordena. Defenda uma justiça que não se enrodilhe perante os poderosos da sucata e sempre lenta e trôpega, vá de julgamento em julgamento até â prescrição final. Proíba os políticos e ex-políticos de se comportarem como fariseus que apregoam e exigem a austeridade, mas que arrogantes ou simulados, protegem os seus interesses e defendem os seus negócios. Mas o Sr. Presidente, parece-me muito sensível às estranhas forças ocultas que o ocupam e preocupam e receio que a voz da razão e do bom senso, não consigam saltar os muros do Palácio de Belém. É que há dias, ao passar em frente do portão principal do Palácio de Belém, reparei que pendurado entre os dois garbosos GNRs que guardam o palácio, lá estava um ramo de alecrim para proteger do mau olhado e uma pata de Coelho, não vá o Passos tecê-las.
Manuel de Brito