O Secretário Regional dos Assuntos Sociais resolveu de forma original a necessidade de diminuir os gastos na Saúde e aumentar as receitas por forma a reequilibrar a gestão financeira da sua área de governo. De facto, usar os turistas como «bóia de salvação» para o problema da receita que resultaria da aplicação das taxas moderadoras parece-me inadequado e claramente insuficiente face à desproporção das grandezas em causa, os doentes da região e os que nos procuram por acidente de percurso. Por outro lado, é sabido que estes doentes «acidentais» têm o seu seguro para o efeito, recorrendo normalmente, por uma questão de rapidez e comodidade, aos serviços das diferentes Clínicas existentes no Funchal a que os hotéis recorrem habitualmente como complemento do seu bom atendimento ao hóspede. Ora, como é sabido, estas clínicas existem como unidades de negócio que criam empregos e pagam impostos. Por isso, será que o que se pretende é asfixiá-las numa conjuntura em que as dificuldades dos próprios utentes da Região começam a afectar o acesso às mesmas? E, por outro lado, ainda, será que abrindo a «caça ao turista» para angariar receita não se ocupará uma vaga hospitalar que o utente da região vê preterida e o obriga a um maior período de espera para a intervenção que ansiosamente aguarda? É que as equipas não esticam… Ou seja, nem se resolve o problema a prazo, nem se melhora a resposta a dar pela saúde pública, apenas porque se prometeu em campanha não aplicar taxas moderadoras? Para além de mais tarde o problema poder ressurgir e dificultar a compra de medicamentos e outro material hospitalar necessário para o dia a dia da instituição. Discriminar o turista numa região que vive desse recurso como actividade económica prioritária parece-nos de mau gosto e atentatório da livre e sã concorrência entre sector público e privado em busca da melhor solução para todos. É caso para dizer que se reinventou a célebre frase «os ricos que paguem a crise», agora travestidos de turistas, que deveriam ser acarinhados numa situação de infelicidade no seu destino de férias.

Nuno Fernandes, Gestor