Alexandre Costa No passado dia 11 de Março, dirigi-me por duas vezes às pseudo-urgências do Hospital Dr. Nélio de Mendonça, no Funchal, uma por volta das 9h30 da manhã e a segunda, cerca das 13h30. Aí procurava uma consulta para o meu filho - visto que o centro de saúde da minha área de residência se encontra encerrado, como é normal - que apresentava sintomas algo estranhos para quem havia terminado no dia anterior de tomar um conjunto de fármacos, entre os quais um antibiótico. Sem surpresas, deparei-me das duas vezes logo com uma sala de espera cheia, sem lugares para sentar e pais com os filhos ao colo, alguns já no exterior certamente para não contagiar os seus filhos com outras doenças que não aquelas que os haviam levado ali, e da segunda vez, crianças faziam as suas sestas também no exterior do edifício. Ah, alguém dizia inclusive que parecia uma Hospital "terceiro-mundista", pois com todos este cenário também assistimos a choros, crianças sentadas do chão contorcidas com dores e bebés que vomitaram para cima das suas mães que "atenciosamente" aguardavam ouvir a voz que chamava pelo nome dos seus filhos. Contudo, o mais caricato foi o que aconteceu já no acto médico, que desta vez se traduziu claramente na aplicação de uma "medicina preventiva". Ora, quem nos atendeu, e penso que bem, espantosamente referiu o seguinte: "precisava de fazer um exame ao seu filho mas já não há o dispositivo necessário… e quando não há dinheiro não há saúde!" Ou seja, daqui depreendi que todas as promessas políticas deste governo não passam de uma falácia, ou seja, medicina sem verbas é uma falsa medicina por mais que seja a boa vontade dos seus profissionais…,e quem precisar dela tem de socorrer-se do sector privado e apostar em boas políticas de seguros. É então este o estado de protecção social que temos e que começa logo por falhar no bem mais precioso de uma nação: as suas crianças. Enfim, deixo ainda aqui um desafio: quem quiser ter uma tarde bem passada e viver intensamente, com bastante adrenalina, a realidade dos problemas das pessoas, fica o convite: vá até às urgências dos nossos hospitais e compare o ficcional dos discursos com o cruel da prática. Assim sabe quem fala verdade!